terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Virgem Maria no Islamismo

Muitas pessoas não sabem, mas os muçulmanos têm um profundo respeito pela mãe de Jesus.



O Alcorão possui toda uma Surata sobre a Virgem Maria exaltando sua figura como mãe do Profeta Jesus. Diz o Anjo Gabriel à Maria:
“Sou mensageiro do Teu Senhor. E Teu Senhor disse que te dar um filho sem relacionar-te com homem é facílimo para Ele (DEUS), que diz: - Faremos dele (do menino) um Sinal e Uma Graça Divina”.
Assim encerrou-se o diálogo entre o “Espírito Santo” e a Virgem Maria. "Os anjos disseram: Ó Maria, Deus elegeu-te e purificou-te e elevou-te sobre as mulheres do mundo. Ó Maria consagra-te a Teu Senhor, inclina-te e prostra-te com os orantes." Alcorão 3:42,43 23.
“Maria concebeu Jesus com sopro Divino. Assim o diz o Sagrado Alcorão: Maria era pura (casta), Nós (Deus) sopramos nela de Nosso Espírito”. Alcorão 66: 12 32. Então Deus infundiu em Maria um alento de Seu Espírito.
Os mulçumanos prestam uma grande devoção à Virgem Maria, inclusive chamando-a de “Imaculada”. O Anjo Gabriel, mensageiro de Allah, pela voz do Profeta Maomé (Muhammad), reveste a Imaculada Mãe de Jesus com as peculiaridades de santidade. Aliás, foi Ela a única mulher, nomeada no Alcorão, trinta e quatro vezes. A Virgem Maria é considerada a mulher mais perfeita, o exemplo perfeito do papel de mulher. O Islamismo aceita que engravidou virgem e que Jesus foi concebido por intercessão divina.
Islamismo e Cristianismo estão ligados pela grande devoção à Virgem Maria, expresso no próprio Alcorão (Máriam-19ª Surata). O Jesus Corânico é Seyydna Isa Ibn Máriam, que quer dizer, Jesus, filho de Maria. Os anjos disseram: - “ó Maria! Deus te anunciou um Verbo, emanado d’Ele, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria; será ilustre nesta vida e na outra, e contará entre os diletos de Deus. Ele falará aos homens no berço, assim como, na maturidade, e estará entre os virtuosos”. (AAL’IMRAN – 3ª Surata- 45, 46). 
A Virgem Maria é considerada, por alguns sufis (mulçumanos que mantém comunhão perfeita com Allah), a Mãe-Sabedoria, a mãe da Profecia e de todos os Profetas; por isso o Islã a chama de siddigah (a sincera), identificando-a com a Sabedoria, com a Santidade, com a Sinceridade e com a total concordância à Verdade.
Máriam é a pureza inviolável e fecundação divina; abundância de graças, e personifica de maneira irrefutável a feminilidade, a pureza, a beleza e a misericórdia celestiais, Ela é mencionada na Sura dos profetas (ALAN-BIYÁ- 21ª Surata, aya 91), junto com outros Mensageiros-Sayyaidatã Maryam sua dignidade profética.
O Islamismo associa intrinsecamente Jesus à Virgem Maria e torna-se Jesus à Virgem Maria e torna-se clara essa associação pela maneira que o Alcorão a apresenta, dizendo que Jesus foi a Mensagem da Virgem Abençoada. No Corão, Jesus é citado vinte e cinco vezes, seja como filho de Maria, ou o Messias Jesus, filho de Maria. Mas, o Messias filho de Maria, é apenas um Profeta (Corão 5,75), entre os demais, é um enviado de Deus (3,49), é um servo de Deus. Maria, mãe de Jesus, é a única mulher que o Corão chama pelo nome. Nenhuma mulher, entre todas, é citada pelo nome, no Livro Sagrado dos muçulmanos, exceto Maria, mãe de Jesus! Nem a mãe de Maomé, nem a esposa ou as filhas dele, são nominadas no Alcorão, e, entretanto, a mãe de Jesus Cristo é citada mais de trinta (30) vezes!
Entre os preceitos do Islã, que os mulçumanos ainda observam fervorosamente até os dias atuais, é o tratamento atencioso para com as mães. A honra que as mães mulçumanas recebem de seus filhos e filhas é exemplar. As relações afetuosas entre as mães mulçumanas e seus filhos, e o profundo respeito com que os homens se aproximam de suas mães, é algo admirável e sagrado.

Surata Maryan (capítulo "Maria"):

"MÁRIAM"
(MARIA)

Revelada em Makka; 98 versículos, com exceção dos versículos 58 e 71, que foram revelados em Madina.
19ª SURATA
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Caf, Ha, Yá, Ain, Sad.(866)

Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias.(867)

Ao invocar, intimamente,(868) seu Senhor,

Dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu!(869)

Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de tua parte, com um sucessor!(870)

Que represente a mim e à família de Jacó; e faze, ó meu Senhor, com que esse seja complacente!

Ó Zacarias, alvissaramos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João). Nunca denominamos, assim, ninguém antes dele.(871)

Disse (Zacarias): Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e eu cheguei à senilidade?

Respondeu-lhe: Assim será! Disse teu Senhor: Isso Me é fácil, visto que te criei antes mesmo de nada seres.(872)

Suplicou: Ó Senhor meu, faze-me um sinal!(873) Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites.

Saiu do templo e, dirigindo-se ao seu povo, indicou-lhes, por sinais, que glorificassem Deus, de manhã e à tarde.

(Foi dito): Ó Yahia, observa fervorosamente o Livro!(874) E o agraciamos, na infância, com a sabedoria,

assim como com as Nossas clemência e pureza, e foi devoto,(875)

e piedoso para com seus pais, e jamais foi arrogante ou rebelde.

A paz esteve com ele desde o dia em que nasceu, no cia em que morreu e estará no dia em que foi ressuscitado.

E menciona Maria, no Livro, a qual se separou de sua família, indo para um local que dava para o leste.(876)

E colocou uma cortina para ocultar-se dela (da família), e lhe enviamos o Nosso Espírito, que lhe apareceu personificado, como um homem perfeito.

Disse-lhe ela: Guardo-me de ti no Clemente, se é que temes a Deus.

Explicou-lhe: Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado.(877)

Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta?

Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia(878). E foi uma ordem inexorável.(879)

E quando concebeu, retirou-se, com um rebento a um lugar afastado(880).

As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse: Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida(881).

Porém, chamou-a uma voz, junto a ela: Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr um riacho a teus pés!

E sacode o tronco da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras madura e frescas.

Come, pois, bebe e consola-te;(882) e se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma.(883)

Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhes disseram: Ó Maria, eis que fizeste algo extraordinário!(884)

Ó irmão de Aarão,(885) teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade!

Então ela lhes indicou que interrogassem o menino.(886) Disseram: Como falaremos a uma criança que ainda está no berço?

Ele lhes disse: Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou como profeta.

Fez-me abençoado, onde quer que eu esteja, e me encomendou a oração e (a paga do) zakat enquanto eu viver.(887)

E me fez piedoso para com a minha mãe, não permitindo que eu seja arrogante ou rebelde.(888)

A paz está comigo, desde o dia em que nasci; estará comigo no dia em que eu morrer, bem como no dia em que eu for ressuscitado(889).

Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam(890).

É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja!, e é.(891)

E Deus é o meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois! Esta é a senda reta.(892)

Porém, as seita discordaram a seu respeito. Ai daqueles que não crêem no comparecimento ao grande dia!

Quão ouvintes e quão videntes serão, no dia em que comparecerem ante Nós! Porém, os iníquos estão, hoje, em um evidente erro.

E admoesta-os sobre o dia do lamento, quando a sentença for cumprida, enquanto estão negligentes e não crêem.

Em verdade, Nós herdaremos a terra com todos os que nela estão e a Nós retornarão todos.

E menciona, no Livro, (a história de) Abraão; ele foi um homem de verdade, e um profeta.

Ele disse ao seu pai: Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?

Ó meu pai, tenho recebido algo da ciência, que tu não recebeste. Segue-me, pois, que eu te conduzirei pela senda reta!

Ó meu pai, não adores Satanás, porque Satanás foi rebelde para com o Clemente!

Ó meu pai, em verdade, temo que te açoite um castigo do Clemente, tornando-te, assim, amigo de Satanás.

Disse-lhe: Ó Abraão, porventura detestas as minhas divindades? Se não desistires, apedrejar-te-ei. Afasta-te de mim!

Disse-lhe: Que a paz esteja contigo! Implorarei, para ti, o perdão do meu Senhor, porque é Agraciante para comigo.

Abandonar-vos-ei, então, com tudo quanto adorais, em vez de Deus. Só invocarei o meu Senhor; espero, com a invocação de meu Senhor, não ser desventurado.(893)

E quando os abandonou com tudo quanto adoravam, em vez de Deus, agraciamo-lo com Isaac e Jacó, e designamos ambos como profetas.(894)

E os recompensamos com a Nossa misericórdia, e lhes garantimos honra e a língua veraz.(895)

E menciona Moisés, no Livro, porque foi leal e foi um mensageiro e um profeta.(896)

Chamamo-lo à escarpa direita do Monte(897) e fizemos com que se aproximasse, para uma confidência.

E o agraciamos com a Nossa misericórdia, com seu irmão Aarão, outro profeta.(898)

E menciona, no Livro, ( a história real) de Ismael, porque foi leal às suas promessas e foi um mensageiro e profeta.(899)

Encomendava aos seus a oração e a paga do zakat, e foi dos mais aceitáveis aos olhos de seu Senhor.

E menciona, no Livro, (a história de) Idris(900), porque foi (um homem) de verdade e, um profeta.

Que elevamos a um estado de graça.

Eis aqueles que Deus agraciou, dentre os profetas, da descendência de Adão, os que embarcamos com Noé, da descendência de Abraão(901) e de Israel, que encaminhamos e preferimos sobre os outros, os quais, quando lhes são recitados os versículos do Clemente, prostram-se, contritos, em prantos.

Sucedeu-lhes, depois, uma descendência, que abandonou a oração e se entregou às concupiscências. Porém, logo terão o seu merecido castigo,

Salvo aqueles que se arrependerem, crerem e praticarem o bem; esses entrarão no Paraíso, e não serão injustiçados.

(Repousarão nos) Jardins do Éden, que o Clemente prometeu aos Seus servos por meio de revelação, incognoscivelmente, e Sua promessa é infalível.

Ali não escutarão futilidades, mas palavras de saudações, e receberão o seu sustento de manhã e à tarde.

Tal é o Paraíso, que deixaremos como herança a quem, dentre os Nossos servos, for devoto.

E (os anjos) dirão: Não nos locomovemos de um local para o outro sem a anuência de teu Senhor, a Quem pertencem o nosso passado, o nosso presente e nosso futuro, porque o teu Senhor jamais esquece.

É o Senhor dos céus e da terra, e de tudo quanto existe entre ambos. Adora-O, pois, e sê perseverante em Sua adoração! Conheces-Lhe algum parceiro?

Porém, o homem diz: Quê! Porventura, depois de morto serei ressuscitado?

Por que não recorda o homem que o criamos quando nada era?

Por teu Senhor, que os congregaremos com os demônios, e de pronto os faremos comparecer, de joelhos, à beira do inferno!

Depois arrancaremos, de cada grupo, aquele que tiver sido mais rebelde para com o Clemente.

Certamente, sabemos melhor do que ninguém quem são os merecedores de ser ali queimados.

E não haverá nenhum de vós(902) que não tenha por ele, porque é um decreto irrevogável do teu Senhor.

Logo salvaremos os devotos e deixaremos ali, genuflexos, os iníquos.

Quando lhes são recitados os Nosso lúcidos versículos, os incrédulos dizem aos fiéis: Qual dos dois partidos, o nosso ou o vosso, ocupa melhor posição e está em melhores condições?

Quantas gerações, anteriores a eles aniquilamos! São eles mais opulentos e de melhor aspecto?

Dize-lhes: Quem quer que seja que estiver no erro, o Clemente o tolerará deliberadamente até que veja o que lhe foi prometido, quer seja o castigo terreno, quer seja o da Hora (do Juízo final); então, saberão quem estará em pior situação, e terá os prosélitos mais débeis.

E Deus aumentará os orientados na orientação. As boas ações, as perduráveis, são mais meritórias e mais apreciáveis aos olhos do teu Senhor.

Não reparaste naquele que negava os Nossos versículos e dizia: Ser-me-ão dados bens e filhos?

Está, porventura, de posse do incognoscível? Estabeleceu, acaso, um pacto com o Clemente?

Qual! Registramos tudo o quanto disser, e lhe adicionaremos mais e mais o castigo!

E a nós retornará tudo que disser, e comparecerá, solitário, ante Nós.

Adotam divindades, em vez de Deus, para lhes dar poder.

Qual! Tais divindades renegarão a adoração e serão os seus adversários!

Não reparas em que concedemos o predomínio dos demônios sobre os incrédulos para que os seduzissem profundamente?

Não lhes apresses, pios, seu castigo (ó Mohammad), porque computamos estritamente os seus dias.

Recorda-lhes o dia em que o congregaremos, em grupos, os devotos, ante o Clemente.

E arrastaremos os pecadores, sequiosos, para o inferno.

Não lograrão intercessão, senão aqueles que tiverem recebido a promessa do Clemente.

Afirmam: O Clemente teve um filho!

Sem dúvida que haveis proferido uma heresia.(903)

Por isso, pouco faltou para que os céus se fundissem, a terra se fendesse e as montanhas, desmoronassem.

Isso, por terem atribuído um filho ao Clemente,

Quando é inadmissível que o Clemente houvesse tido um filho.(904)

Sabei que tudo quanto existe nos céus e na terra comparecerá, como servo, ante o Clemente.

Ele já os destacou e os enumerou com exatidão.(905)

Cada um deles comparecerá, solitário, ante Ele, no Dia da Ressurreição.

Quanto aos crentes que praticarem o bem, o Clemente lhes concederá afeto perene.

Só to facilitamos (o Alcorão), na tua língua para que, com ele, exortes os devotos e admoestes os impugnadores.

Quantas gerações anteriores a eles aniquilamos! Vês, acaso, algum deles ou ouves algum murmúrio deles?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Mesquita Maior de Granada

Mezquita Mayor de Granada:

Após 511 anos a cidade de Granada, na Espanha, volta a ter uma mesquita.


O ano era 1492. O dia: 02 de Janeiro. Neste momento histórico os reis católicos Fernando V de Aragão e Isabel I de Castela entravam solenemente na cidade de Granada, no sul da Península Ibérica, e tomavam posse do último bastião muçulmano na Europa: as Guerras de Reconquista estavam encerradas.

Fernando e Isabel recebem a rendição da cidade de Granada em 02/01/1492

Imediatamente o palácio dos emires de Granada, a magnífica Alhambra, foi ocupada e ali, onde até então se louvava o nome de Allah há sete séculos, foram ministradas missas e procissões. As mesquitas foram transformadas em igrejas e a população muçulmana foi convertida ao cristianismo, em sua maioria forçada pela ameaça da morte na fogueira.

Mas no verão espanhol de 2003 uma mesquita foi inaugurada em Granada, 511 anos após a tomada da cidade pelos Reis Católicos. Foi, nas palavras dos próprios muçulmanos locais, um "hito histórico. Em sua página principal, o site da mesquita afirma o seguinte:
"La apertura de la Mezquita Mayor de Granada en el verano del año 2003 marcó un hito histórico, al igual que su silueta en el horizonte del Albaicín y frente a la majestuosa estampa de la Alhambra y Sierra Nevada representa un hito en el paisaje de Granada.
La Mezquita Mayor de Granada representa la restauración de un vínculo perdido y señala la continuidad, después de un paréntesis de 500 años, de una tradición fecunda y enriquecedora en todas las esferas del quehacer humano.
La Mezquita Mayor de Granada es también un signo de la vitalidad del mensaje profético del Islam y su relevancia en Europa y en Occidente. Las contribuciones al saber, el pensamiento y la cultura del mundo islámico a través de España fueron muy importantes en el pasado y los musulmanes europeos de hoy aspiramos a contribuir a la transformación del mundo en que vivimos donde tantas injusticias y dilemas acuciantes nos afectan a todos.
El Islam es el último mensaje revelado, que ofrece las alternativas viables y naturales al capitalismo voraz y a la rápida disolución de todos los valores en la actual sociedad de consumo".
A abertura da Mesquita Maior de Granada é um exemplo de tolerância e respeito, pelo qual os espanhóis de Granada estão de parabéns. A existência de um templo religioso é sempre importante para as comunidades locais onde estão construídos, mas no caso específico de Granada, com todas suas vicissitudes históricas ligadas à ocupação árabe, à Reconquista católica e à herança moçárabe local, torna-se ainda mais importante.
Vista do pátio interno da Mesquita Maior de Granada

Interior da Mesquita Maior de Granada em dia de oração

Site da Mezquita Mayor de Granada:

http://www.mezquitadegranada.com/





quinta-feira, 30 de junho de 2016

Dificuldades do Jejum de Ramadã no Brasil

É possível seguir a religião islâmica no Brasil?

O meio em que se vive interfere, mas não pode servir de desculpa.

A prática do Islamismo é algo que demanda um esforço pessoal imenso, haja vista os cinco pilares que devem ser cumpridos pelos muçulmanos. Mas não se pode negar que todo comportamento, quando é acompanhado pela maioria da sociedade que nos rodeia, torna-se mais "fácil" de ser cumprido. O contrário também é verificável: quando se é minoria em uma sociedade e, principalmente, quando seu comportamento vai de encontro aos costumes locais, a dificuldade de se cumprir estas metas é ainda maior.



Ser muçulmano, no Brasil, é uma tarefa extenuante. Exemplos não faltam: o consumo de carne de porco é proibida, mas em várias ocasiões os brasileiros colocam "porco" na alimentação diária e nem percebem isso. Comer fora de casa, ou até em casa mesmo, é um desafio constante. A época do jejum do Ramadã é outro momento de esforço (Jihad): todos à sua volta estão comendo, bebendo e você tem que se abster de tudo. E tudo isso é possível apenas pela fé em Allah.
Conseguir realizar as cinco orações diárias e visitar as mesquitas nas sextas-feiras é também muito complicado: a correria do dia-a-dia, o trabalho e tudo o mais inviabiliza que consigamos parar para rezar e, pelo mesmo motivo, não conseguimos ir às mesquitas no meio do dia às sextas-feiras.
Enfim, tudo isso, no entanto, não pode servir de desculpa para não cumprirmos as determinações do Islamismo. Temos que colocar as coisas em perspectivas e estabelecer prioridades que, neste caso, tem que ser Allah.

Especifiquemos agora o caso do jejum do mês de Ramadã. Do nascer ao pôr do sol não se deve consumir nenhum alimento, nem bebida, nem mesmo a água, além de se abster das relações sexuais. Particularmente no meu caso o mais difícil é não beber nada. Em todos os locais em que trabalho (sou professor) as pessoas estão comendo algo, bebendo e oferecendo. Além de se abster dos alimentos e das bebidas, percebo que a prática do jejum traz a mim mais calma, eu falo menos, manifesto-me menos e as pessoas acham estranho. Normalmente eu sou uma pessoa expansiva, que sempre está no meio de conversações e brincadeiras. No mês sagrado de Ramadã, por outro lado, torno-me uma pessoa mais introspectiva e "polêmica". A falta de alimentos diminui nossa energia e naturalmente falamos e nos mexemos menos. As pessoas acham estranho este comportamento e sempre perguntam o que está acontecendo de diferente. Sempre me oferecem algum alimento ou chamam para uma situação em que iremos nos alimentar e também acham estranho quando eu nego.
Mas isso torna-se uma oportunidade de divulgação do Islamismo: ao me abster de comer e beber tenho a oportunidade de falar que estou de jejum, que é um jejum religioso, que sou muçulmano e como funciona o jejum de Ramadã. As pessoas acham estranho encontrar um muçulmano (particularmente acho que acham até temeroso), mas surge então a oportunidade de esclarecer o verdadeiro Islã, que nada tem a ver com terrorismo, fanatismo ou machismo tão vinculados na mídia.
Eu já fiz o jejum no verão e no inverno; no calor e no frio; trabalhando e de férias; cada época tem sua dificuldade mas também sua vantagem: no inverno ele termina mais cedo, por volta das 17:30, mas em compensação é necessário acordar mais cedo para tomar a refeição preparatória. No verão é o inverso: tem o problema do calor mas começa mais tarde. No frio a falta de alimentos aumenta a sensação de frio e no calor....bem, no calor o que faz falta mesmo é a água.

No meu caso especial sinto mais falta de bebidas do que de alimentos....mas já me acostumei a me abster e já não sofro muito com o jejum. Existem muitas vantagens no mês de Ramadã: damos mais valor aos alimentos e à água; entendemos o sofrimento daqueles que nada têm para comer; tornamo-nos mais introspectivos e serenos, envolvemo-nos menos em frivolidades e polêmicas. Enfim, é um momento único de concentração, devoção e de reforçar a fé em Allah. Como respondi a uma colega que me perguntou como eu consigo ficar sem comer nada nem beber: a Fé.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Resposta a uma leitora que acusou o Islamismo de ser machista

Comentário dela seguido das minhas respostas:


A leitora do meu blog Annie Bitercourt postou o seguinte comentário no meu artigo "A Mulher Muçulmana - Mais um enfoque na questão feminina no Islamismo":

Por que o homem tem direito a 4 mulheres mas não pode o contrário? E aquela história de quando uma mulher está menstruada não pode ir na Mesquita porque a consideram suja? Eu conheço vários árabes, e na experiência próxima a mim uma jovem, árabe e muçulmana, inteligentissima, formada e tudo, após se casar simplesmente a deixam reclusa cuidando de um filho. Por que ela não pode trabalhar tbm e o marido cuidar do filho pra variar? Na hora de fazer precisou dos 2. E não é só essa conhecida minha, tenho diversos exemplos que poderia passar o dia citando. O islam é machista sim, assim como qualquer religião.

Senti-me, então, compelido a respondê-la e achei também interessante compartilhar tanto as questões dela quanto as minhas resposta, caso seja a opinião de outras pessoas. Seria interessante sabermos sobre isso. Eis aqui as minhas respostas:
Annie Bitencourt....vou tentar responder suas questões e quiçá transformar a resposta em uma nova postagem....
1- A permissibilidade do homem se casar quatro vezes e a mulher não surgiu nos primeiros tempos do Islamismo. Com inúmeras guerras onde muitos homens morriam, e em um momento em que as mulheres não tinham a independência econômica e profissional que têm hoje, a única saída era se casar novamente, para não caírem na mendicância ou na prostituição. Por isso foi permitido que um muçulmano se casasse com mais de uma mulher, com as viúvas dos muçulmanos mortos em combates religiosos. Isso não foi estendido às mulheres porque isso poderia causar confusão nas descendências: um homem com quatro mulheres deve ser o pai de todos os filhos e filhas gerados pelas suas mulheres, ao passo que uma mulher com vários esposos não saberia (pelo menos não em uma época sem os "testes de paternidade") quem era o pai. Mas a poligamia tem as suas regras: a primeira mulher tem que autorizar um novo casamento e as condições devem ser as mesmas para todas as mulheres. Devo deixar claro que este era um costume antigo que está em desuso. Apenas em locais mais tradicionais, com uma sociedade mais fechada, esta prática ainda é levada a cabo.
2- Sobre a mulher suja em uma mesquita, isso me parece um pouco óbvia. Um homem sujo pela prática do ato sexual (isto é, se ele praticou ato sexual e não se lavou) também é impossibilitado de entrar na mesquita. Aliás todos devem se lavar, menstruadas ou não, antes de entrar para a reza na mesquita. A limpeza antes de entrarmos na mesquita vale para homens e mulheres e não se resume à mulher menstruada. Quero aqui aproveitar para falar sobre o fato de homens e mulheres ficarem separados na mesquita: não se trata de misoginia, mas um raciocínio lógico: a reza pressupõe genuflexões e agachamentos que, se fossem feitos com homens e mulheres no mesmo lugar, poderiam com certeza desviar a atenção de ambos da oração. Portanto não é discriminação, mas pensamento lógico e prático.
3- Sobre a jovem formada e competente que fica em casa cuidando do filho, isso não é uma obrigação islâmica de forma alguma. Aliás a religião islâmica foi a primeira a incentivar a liberdade feminina, o estudo e o direito ao divórcio e à herança em uma época em que as mulheres eram submissas a seus maridos entre cristãos europeus. Mais uma vez estamos falando de um pensamento regionalista, uma questão de costumes conservadores de uma determinada família ou de uma determinada região do país. Não podemos confundir costumes locais ou familiares com determinações religiosas. O Alcorão não prescreve a mutilação genital feminina, pelo contrário, isso era um costume local e não uma determinação religiosa.
A moça em questão tem total direito a estudar e colocar em prática profissional os seus conhecimentos, assim como o marido deve ajudá-la nos afazeres domésticos e no cuidado com os filhos. O Islamismo não determina que "lugar de mulher é em casa cuidando dos filhos", muito pelo contrário.
Para completar o Islamismo não é machista. Como disse antes: em uma época em que as mulheres eram juridicamente submissas aos homens, o Islã deu a elas o direito de pedir divórcio, de herdar bens sem a necessidade de homens, de irem à escola, à mesquita e etc. Não confunda o costume de uma parcela com o que a religião prega. Diz o Alcorão:

''Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos consagrados e às consagradas, aos verazes e às verazes, aos perseverantes e às perseverantes, aos humildes e às humildes, aos caritativos e às caritativas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recatadas, aos que se recordam muito de Deus e às que se recordam d'Ele, saibam que Deus lhes tem destinado a indulgência e uma magnífica recompensa.'' (Alcorão Sagrado 33:35).

Espero que tenha esclarecido algumas questões.....mas sempre podemos abrir novos pontos de raciocínio. Obrigado Annie.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Jesus no Islamismo - Parte 2

A diferença do Jesus "Cristão" para o Jesus "Muçulmano":

Diferentes Pontos de Vista cristãos sobre Jesus:

Atualmente, pode causar surpresa pensar que um cristão aceite outra descrição de Jesus além de "Ungido de Deus" ou "Salvador", porém, Négus (o rei da Abissínia) conhecia os argumentos teológicos que se debatiam entre várias seitas cristãs desde o princípio, se dividiram em duas correntes: por um lado, aqueles que seguiram a religião de Jesus e por outro aqueles que seguiram uma religião próxima de Jesus.
A primeira esteve composta por seus discípulos, os quais viviam como judeus, acreditavam em um único Deus e seguiam a Lei de Moisés, a qual Jesus "não veio para revogar, mas cumprir" (Matheus - 5:17), foram conhecidos como Arianos. Ário era um bispo do norte da África que deu ênfase à natureza humana de Jesus. A segunda corrente esteve encabeçada por Paulo, um orador carismático que nunca conheceu pessoalmente Jesus; eram conhecidos como Paulinos, eles focaram seus esforços em converter os judeus e em desenvolver uma teologia afastada do Antigo Testamento, que incluía a crença em uma trindade, os conceitos associados de pecado original e expiação, davam ênfase em Jesus como "filho" de Deus e o dogma central da (suposta) crucificação e ressurreição de Jesus.



O Concílio de Niceia:

As divergências entre estas e outras seitas haviam aumentado de tal forma durante o século IV que o imperador Constantino decidiu convocar o Concílio de Niceia (Iznik, Turquia) no ano de 325 d.C., onde os bispos do mundo cristão se reuniram pela primeira vez para debater a doutrina cristã, dando lugar à crença de uma trindade: "Pai, Filho e Espírito Santo". Os bispos que estiveram em desacordo foram declarados hereges, suas publicações foram proibidas e os evangelhos que apoiavam seus argumentos foram queimados. Isto marcou o nascimento da Igreja Católica Romana, a religião oficial do Império Romano.
Dezenas de evangelhos e outras escrituras que eram usadas com liberdade e que apresentavam uma visão alternativa de Jesus foram destruídas. Somente quatro foram incluídas no Novo Testamento, junto com muitos dos escritos de Paulo.
Apesar deste intento totalitarista de alcançar a "unidade religiosa", um pequeno número de seitas cristãs que se opuseram conseguiram sobreviver junto com alguns evangelhos alternativos que estiveram cuidadosamente ocultos, e que não saíram à luz até o século XX. As tribos germânicas da Europa se converteram diretamente ao cristianismo ariano ao invés do cristianismo romano. E um sentimento de desconfiança entre elas impulsionou mais tarde a Reforma Protestante e o estabelecimento de uma igreja unitária. Deu um ponto de vista histórico, as principais diferenças religiosas entre muçulmanos e cristãos são, em sua maioria, as que existiram entre os mesmo cristãos desde o início. Diferenças quanto à natureza e à missão de Jesus, sua relação com Deus e sobre a melhor forma de respeitá-lo e seguir seu exemplo.

Filho de Maria: Não "Filho" de Deus:

O Alcorão ensina o monoteísmo puro e simples: fé em um único Deus, Criador e Sustentador do Universo. Um Ser Supremo sem companheiros nem associados nem familiares. Não existe o conceito de intermediários no Islamismo, seja como sacerdote ou salvador, que deva interceder entre o ser humano e seu Criador. O Islamismo considera que a visão cristã na qual Jesus é "idolatrado" enquanto que Deus é "humanizado", obscurece o inestimável papel de Jesus como mestre e modelo. Ao mesmo tempo em que subestima imensamente a transcendental majestade de Deus. Para os muçulmanos é impossível que o Criador do Universo, o Todo Poderoso possa aparecer em qualquer forma humana, completa ou parcial, limitado pelo tempo e espaço.
O Alcorão, como a Bíblia, confirma que Jesus não teve pai humano, porém não aceita que isto o converta em filho de Deus como não aconteceu com Adão, que também foi criado sem pai nem mãe. Mas sim "quando decide um assunto, basta-lhe dizer: Sê. E é" (Alcorão - 3:47).
É interessante recordar que o termo Jesus é empregado frequentemente no Evangelho do Novo Testamento como "filho do homem" (em hebraico. literalmente, o "filho de Adão"), um termo que para os muçulmanos enfatiza sua natureza humana. A frase "filho do homem" também aparece no Antigo Testamento, conde ressalta a insignificância que o homem é ante Deus. (Jó - 25:4/6 e Salmos - 8:3/5).

sábado, 26 de março de 2016

Jesus no Islamismo - Parte 1

Você sabia que é obrigatório a todo muçulmano crer em Jesus?

Muitas vezes, os cristãos do Ocidente se surpreendem ao descobrir que os muçulmanos estão familiarizados com a vida e os ensinamentos de Jesus, os quais estão preservados no Alcorão e nos ditos do Profeta Mohammad. Em contrapartida, é provável que nada é ensinado sobre o Profeta Mohammad nas igrejas. Isto é, em parte, uma questão histórica: o Islamismo reúne a tradição judaico-cristã e aceita Jesus da mesma forma que o Cristianismo incorpora o Antigo Testamento e aceita Moisés. As três religiões traçam suas origens em Abraão e, de fato, o Alcorão e a Bíblia compartilham e reafirmam muitas crenças, práticas e virtudes, como por exemplo: crer em Deus, nos anjos e no Dia do Juízo Final; nas virtudes da oração, a caridade e o jejum, assim como na verdade, na paciência e no amor. Juntos, cristãos e muçulmanos representam mais da metade da população mundial e ao invés de serem dois oponentes ideológicos como muitos pensam, suas crenças são em muitos sentidos, mais parecidas dentre todas as religiões do mundo.


Os primeiros muçulmanos foram protegidos na Abissínia Cristã:

Tais princípios comuns foram as razões pelas quais o Profeta Mohammad aconselhou os fracos e pobres entre seus primeiros seguidores a buscarem refúgio na Abissínia Cristã (hoje Etiópia). Eles fugiram das perseguições das tribos árabes idólatras. Ao chegar, os líderes corruptos de Meca solicitaram ao Négus (rei da Abissínia) que os devolvessem, porém, antes de fazê-lo, o governante da Abissínia os convocou para perguntar-lhes: "Que religião é esta por causa da qual se separaram de seu povo e ainda não abraçaram a minha nem a religião de nenhuma das nações que nos rodeiam"?
Jaafar, que era o primo do Profeta Mohammad, respondeu: "Ó rei! Nós éramos um povo afogado na ignorância, que adorava ídolos, comia carniça, cometia atrocidades e onde o forte devorava o mais fraco. Assim éramos, até que Deus nos enviou um Mensageiro entre nós, cuja linhagem conhecemos, assim como sua veracidade, seu mérito de confiança e integridade. Nos convocou a testemunhar a unicidade de Deus, adorar somente a Ele e renunciar ao que nós e nossos pais adorávamos na forma de pedras e ídolos, nos ordenou a dizer a verdade, cumprir nossas promessas, respeitar os laços de parentesco e os direitos de nossos vizinhos, e a nos abster dos crimes e do derramamento de sangue. Adoramos, pois, a Deus somente, sem parceiros, considerando proibido tudo quanto Ele proibiu e lícito o que é permitido por ele. Por estas razões nosso povo se voltou contra nós e nos persegue para fazer renunciar a nossa religião e voltar da adoração a Deus para a adoração aos ídolos. Por isso, viemos ao seu país, escolhendo a ti sobre os outros. Sob tua proteção temos sido felizes e é nossa esperança, que aqui, contigo, não soframos mais perseguições".
Négus perguntou então se tinha com ele alguma revelação feita ao seu Profeta. Jaafar então recitou os seguintes versículos do Alcorão:

"E menciona (Mohammad) no Livro, a Maria, quando se insulou de sua família, em lugar na direção do Oriente, e colocou entre ela e eles um véu; então, enviamo-lhe Nosso Espírito, e ele apresentou-se-lhe como um homem perfeito. Ela disse: 'Por certo, refugio-me no Misericordioso, contra ti, se é piedoso'. Ele disse: 'Sou, apenas, o Mensageiro de teu Senhor, para te dadivar com um filho puro'. Ela disse: 'Como hei de ter um filho, enquanto nenhum homem me tocou e nunca fui mundana'? Ele disse: 'Assim teu Senhor disse: Isso Me é fácil, e sê-lo-á para fazer dele um sinal para os homens e misericórdia de Nossa parte". E foi uma ordem decretada". (Capítulo 19, versículos de 16 a 20).

A recitação de Jaafar comoveu até as lágrimas o rei, que concluiu: "Isto verdadeiramente procede da mesma fonte que Jesus trouxe". Por isso, o rei concedeu aos muçulmanos a proteção contra as tribos árabes. Não obstante, os membros da tribo de Meca, furiosos porque seus planos e alianças se viram frustrados, provocaram a ira do rei contra os muçulmanos e o fizeram ver as diferenças entre o Cristianismo e o Islamismo, no que diz respeito a Jesus. O rei os convocou novamente e perguntou: "O que dizem de Jesus, filho de Maria"? Jaafar respondeu: "Dizemos dele o que nosso Profeta nos trouxe: que é o servo de Deus e Seu Enviado e Seu Espírito e Sua Palavra que Ele depositou em Maria".
Négus levantou seu bastão e disse: "Jesus não excede o que você disse nem no comprimento desta vara". Os bispos presentes se opuseram à decisão do rei, todavia, este concedeu proteção aos muçulmanos e declarou: "Nem por montanhas de ouro causaria dano a um só homem entre vós".
Este foi o primeiro encontro entre muçulmanos e cristãos e foi assim que o Islamismo começou a florescer na África sob a proteção de um benevolente rei cristão que tornou-se muçulmano.


Continuará, com a graça de Deus.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Maomé é citado na Bíblia?

O Islamismo não é tão diferente quanto você imagina

Mohammad na tradição bíblica:




Muhammad na Bíblia
Por Dr. Jamal Badawi
"Aqueles que seguem o Apóstolo, o Profeta iletrado, a quem eles acham  mencionado em sua Tora e no Evangelho..."
(Alcorão 7:157)
1. As Profecias Bíblicas sobre o Advento de Muhammad
Abraão é amplamente respeitado como o Patriarca do monoteísmo e o pai comum de judeus, cristãos e muçulmanos. Através de seu segundo filho, Isaac, vieram todos os profetas, inclusive os mais proeminentes, como Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão e Jesus. Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre todos eles. O advento desses grandes profetas foi um cumprimento parcial das promessas de Deus, de abençoar as nações da terra através dos descendentes de Abrão (Gênesis 12:2.3). Este fato é sinceramente aceito pelos muçulmanos, cuja fé considera a crença e o respeito a todos os profetas um artigo de fé. 
2. As Bênçãos de Ismael e Isaac
Estaria o primogênito de Abraão (Ismael) e seus descendentes incluídos no pacto e na promessa de Deus? Alguns versículos da Bíblia podem ajudar a esclarecer  um pouco esta questão:
1) Gênesis 12:2-3 fala da promessa de Deus a Abraão e seus descendentes antes que qualquer filho seu nascesse.
2) Gênesis 17:4 reitera a promessa de Deus após o nascimento de Ismael e antes do nascimento de Isaac.
3) Gênesis, cap. 21 Isaac é especialmente abençoado, mas Ismael, a quem Deus prometeu transformar em uma "grande nação", também é especialmente abençoado, principalmente em Gênesis 21:13, 18.
4) De acordo com Deuteronômio 2l:15-17, os direitos e privilégios tradicionais do primogênito não podem ser alterados por causa do "status" de sua mãe (seja uma mulher livre, como Sara, a mãe de Isaac, ou uma escrava, como Hagar, a  mãe de Ismael). Este fato, apenas confirma os princípios humanitários e morais de todas as crenças reveladas.
5) A legitimidade completa de Ismael como filho e "semente" de Abraão, e a legitimidade completa de sua mãe, Hagar, como esposa de Abraão, estão claramente declaradas em Gênesis 21:13 e 16:3.
Depois de Jesus, como o último profeta e mensageiro israelita, chegou a hora de a promessa de Deus, de abençoar Ismael e seus descendentes, ser cumprida.
Menos de 600 anos anos depois de Jesus, chegou o último mensageiro de Deus, Muhammad, da descendência de Abraão, através de Ismael. As bênçãos de Deus  sobre os dois principais ramos da árvore genealógica de Abraão estavam agora cumpridas. Mas, haverá outras provas que corroborem o fato de que a Bíblia, na verdade, predisse a chegada de Muhammad?
3. Muhammad: O Profeta como Moisés
Muito tempo depois de Abraão, a promessa de Deus de enviar um tão esperado Mensageiro foi repetida, desta vez nas palavras de Moisés.
Em Deuteronômio 18:18, Moisés assim falou sobre o profeta a ser enviado por Deus:
1) Dentre os familiares dos israelitas, numa clara referência aos seus primos ismaelitas porque Ismael era o outro filho de Abraão, a quem foi prometido, explicitamente, se tornar uma "grande nação".
2) Um profeta como Moisés. Jamais houve dois profetas tão semelhantes entre si como Moisés e Muhammad. Ambos receberam um extenso código legal de vida, ambos enfrentaram seus inimigos e foram vencedores de forma miraculosa, ambos eram aceitos como profetas/autoridades e ambos migraram em razão de conspirações para assassiná-los. As analogias entre Moisés e Jesus deixam passar, não somente essas semelhanças mas, também, outras importantes (por exemplo, o nascimento natural, vida familiar e morte de Moisés e Muhammad, mas não de Jesus, que era respeitado por seus seguidores como o Filho de Deus e não como um mensageiro de Deus, exclusivamente, como Moisés e Muhammad o eram e como os muçulmanos acreditam que Jesus era).
4. O Profeta Esperado tinha que Vir da Arábia
O Deuteronômio 33:1.2 combina as referências a Moisés, Jesus e Muhammad.
Fala de Deus (isto é, da revelação de Deus) chegando do Sinai, surgindo de Seir (provavelmente a cidade de As'ir, próxima a Jerusalém) e brilhando além de Paran. De acordo com Gênesis 2l:2l, o deserto de Paran era o lugar onde Ismael acampou (isto é, a Arábia, especificamente Macca).
Na verdade, a versão da Bíblia do Rei James, menciona os peregrinos passando pelo vale de Ba'ca (um outro nome de Macca) nos Salmos 84:4-6.
Isaías 42:1-13, fala do amado de Deus. Seu eleito e mensageiro que trará a lei a ser aguardada nas ilhas e que "não fracassará nem desanimará até que ele tenha fixado o julgamento sobre a terra." O versículo 11, liga aquele mensageiro aguardado aos descendentes de Ke'dar. Quem é Ke'dar? De acordo com o Gênesis 25:13, Ke'dar era o segundo filho de Ismael, o antepassado de Muhammad.
 
5. Estaria a Migração de Muhammad de macca para Medina
Profetizada na Bíblia?
Habakkuk 3:3 fala de Deus (ajuda de Deus) vindo de Te'man (um oásis ao norte de Medina, de acordo com o Dicionário da Bíblia deJ. Hasting) e do santo (vindo) de Paran. Aquele santo, que, sob perseguição, migrou de Paran (Macca) para ser recebido entusiasticamente em Medina, não era outro senão o profeta Muhammad.
Na verdade, o incidente da migração do profeta, e de seus seguidores perseguidos, está descrito com todas as cores em Isaías 21:13-17, assim como profetiza a batalha de Badr, na qual uns poucos fiéis desarmados, milagrosamente derrotaram os poderosos de Ke'dar, que queriam destruir o Islam e intimidar seus próprios companheiros, que se voltavam para o Islam.
6. O Nobre Alcorão foi Profetizado na Bíblia?
Durante 23 anos, as palavras de Deus (o Alcorão) foram sendo postas na boca de Muhammad. Ele  não foi o autor do Alcorão. O Alcorão foi ditado a ele pelo Anjo Gabriel, que pedia que Muhammad simplesmente repetisse as palavras, conforme ele as ia ouvindo. Estas palavras foram, então, guardadas na memória e escritas por aqueles que as ouviram durante a existência de Muhammad, e sob sua supervisão.
Seria, então, uma coincidência, que o profeta "como Moisés", da "família " dos israelitas (isto é, dos ismaelitas), fosse também descrito como aquele, em cuja boca Deus poria suas palavras, e que falaria em nome de Deus? (Deuteronômio 18:18) Também teria sido coincidência que o "Paracleto" , cuja chegada Jesus profetizou, fosse descrito como aquele que "não falar´ por ele, mas por aquilo que ele ouvirá, que ele falará ..."? (João 16:13)
Teria sido uma outra coincidência, que Isaías fizesse a conexão entre o mensageiro, ligado a Ke'dar, e uma nova canção (uma escritura numa nova língua) para ser cantada pelo Senhor? (Isaías 42:10-11). Mais explicitamente,  Isaías profetiza "com lábios balbuciantes, e uma outra língua, falará a seu povo" (Isaías 28:11). Este último versículo, descreve corretamente os "lábios balbuciantes" do Profeta Muhammad, refletindo o estado de tensão e concentração que ele atingiu durante o tempo da revelação. Um outro ponto é que o Alcorão foi revelado em pequenas doses, durante 23 anos. É interessante comparar este fato com Isaías 28:19, que fala a mesma coisa.
6. Aquele Profeta, o Paracleto, Muhammad
Na época de Jesus (a paz esteja sobre ele), os israelitas ainda esperavam por aquele profeta como Moisés, conforme profetizado em Deuteronômio 18:18. Quando João Batista chegou, foi-lhe perguntado se ele era o Cristo e ele respondeu "não". Então lhe perguntaram se era Elias, e ele lhes disse que "não". Então, numa aparente referência ao Deuteronômio 18:18, lhe perguntaram "Você é aquele Profeta?" e João respondeu que não (João 1:19-21).
No Evangelho segundo João (capítulos 14, 15, 16), Jesus falou do "Paracleto", ou o consolador, que chegaria depois dele, que seria enviado pelo pai como um outro Paracleto, que ensinaria novas coisas que os contemporâneos de Jesus não podiam entender. Ainda que o Paracleto seja descrito como o espírito da verdade, (cujo significado lembra o famoso título de Muhammad, Al-Amin, o honrado), ele é identificado em um único versículo como o Espírito Santo (João 14:26).
Contudo, tal designação é inconsistente com o perfil daquele Paracleto. Nas palavras do Dicionário da Bíblia (Ed. J. Mackenzie), "Estes itens, deve-se admitir, não são um quadro completamente coerente."
Na verdade, a história nos fala que muitos dos primeiros cristãos entendiam que o Paracleto era um homem e não um espírito. Isto talvez explicasse porque respondiam àqueles que reivindicavam, sem encontrar o critério estipulado por Jesus, ser ele o esperado "Paracleto".
O Profeta Muhammad (que a paz esteja sobre ele) foi o Paracleto., o Consolador, o socorredor, o admoestador enviado por Deus após Jesus. Ele testemunhou sobre Jesus, ensinou novas coisas que não poderiam ter sido ensinadas no tempo de Jesus, falou o que ele ouvia (revelação), habita entre os crentes (através de seus ensinamentos preservados). Tais ensinamentos permanecerão para sempre, porque ele foi o último mensageiro de Deus, o único Mensageiro Universal a unir toda a humanidade ao abrigo de Deus e no caminho da verdade PRESERVADA.
Ele falou sobre muitas coisas que estariam por vir nos mínimos detalhes, sobre o critério dado por Moisés para distinguir entre os falsos e os verdadeiros profetas (Deuteronômio 18:22). Ele reprovou o mundo do pecado, falou sobre a justiça e o julgamento (João 16:8-11).
7. A Mudança da Liderança Religiosa Foi Profetizada?
Após a rejeição do último profeta israelita, Jesus, já era tempo de que a promessa  de Deus, de fazer de Ismael uma grande nação, fosse cumprida (Gênesis 21:19, 18).
Em Mateus 21:19-21, Jesus falou da figueira sem frutos (um símbolo bíblico de herança profética) a ser liberada, após ter sido dada uma última chance de três anos (a duração do ministério de Jesus) para dar frutos. Em um versículo posterior, no mesmo capítulo, Jesus disse: Em verdade, vos digo: o reino de Deus será tomado de vós e entregue a uma nação que produzirá o fruto a partir daí."
(Mateus 21:43). Aquela nação dos descendentes dos ismaelitas (a pedra rejeitada em Mateus 21:42), que venceu todos os super-poderes de seu tempo, conforme profetizado por Jesus: "E quem quer que caia sobre esta pedra se quebrará, mas sobre quem ela cair, pulverizar-se-á." (Mateus 2l:44).
8. Coincidência?
Será possível que as numerosas profecias aqui citadas estejam, individualmente ou combinadas, no contexto das interpretações erradas? Será o contrário verdade, isto é, que tais versículos raramente estudados se encaixam e, consistente e claramente, apontam para o advento do homem que mudou o curso da história humana, Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele)? Será razoável concluir que todas essas profecias, que aparecem em diferentes livros da Bíblia, e ditas por vários profetas, em épocas diferentes, fossem todas coincidência? Se assim for, eis aqui uma outra estranha "coincidência"!
Um dos sinais do profeta que chegará de Paran (Macca),éé que ele virá "com 10.000 santos" (Deuteronômio 33:2 KJV). Este era o número de fiéis que acompanharam o Profeta Muhammad a Paran (Macca), em seu retorno vitorioso, sem derramamento de sangue, à sua terra natal, para destruir os símbolos remanescentes da idolatria na Ka'bah.
Caro Leitor:
Possa a luz da verdade brilhar em seu coração e mente. Que possa levá-lo no caminho da paz e da certeza nesta vida, e da felicidade eterna no Além.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Comemoração do Eid Al Fitr - O Final de Ramadã

Neste 17 de julho de 2015 comemoramos o final de Ramadã com uma reza emocionante e um café da manhã delicioso:

Apresentação da Mesquita de Santo Amaro durante o Takibiratil 'Id, a reza do final de Ramadã:


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Eid Al Fitr - Festa de Fim do Ramadã

O final do mês de Ramadã é celebrado com uma festa em comunidade:

Dia de visitar a mesquita e celebrar os esforços e conquistas do mês de jejum.


O Ramadã é considerado o mês mais alegre do ano, que termina com a maior celebração de todas: a quebra do jejum, Eid al-Fitr. Em todo o mundo, os muçulmanos celebram com luzes e decorações.
Celebra-se no primeiro dia do mês de Shawwal, o décimo mês do calendário islâmico.
O Eid começa com uma oração comunal no meio da manhã, realizada a princípio nas mesquitas, porém pode ser realizada em praças ou nas casas, quando o espaço nas mesquitas não for suficiente.
Antes do início da oração a congregação recita o Takbir, uma prece que glorifica a grandeza de Deus. Depois da oração segue-se um sermão (khutba) e uma oração especial que pede perdão e ajuda a todos os muçulmanos do mundo.
É tradição a realização de um grande almoço (o primeiro almoço que os muçulmanos tomam após o jejum diurno de um mês), geralmente na casa de um parente mais velho. É tradição, também, em alguns países árabes, as pessoas trocarem presentes entre si.
O primeiro Eid al-Fitr foi celebrado em 624 pelo profeta Muhammad e seus familiares e amigos em regozijo pela vitória na Batalha de Badr.
Durante a celebração, as pessoas vestem suas melhores roupas, decoram suas casas com luzes, proporcionam divertimento às crianças e visitam os amigos e a família.
Para muitas pessoas, um senso de generosidade, de gratidão e de boas maneiras é o principal tema do Eid al-Fitr e são muito importantes para o Ramadã. O mês sempre consistirá no auxílio dos muçulmanos na alimentação dos pobres e nas contribuições para suas mesquitas.
Quando os muçulmanos terminam o mês do jejum, partem com muitos benefícios que o Ramadã deixa para trás.
De acordo com a tradição muçulmana, o Ramadã:
  • Fortalece o vínculo da pessoa com Alá e educa a alma a observar as obrigações de devoção de acordo com os ensinamentos do Alcorão;
  • Impõe paciência e determinação;
  • Desenvolve o princípio da sinceridade, afastando o ser individual da arrogância e da vaidade;
  • Desenvolve o bom caráter, em especial a honestidade e a confiança;
  • Encoraja o indivíduo a deixar os maus hábitos e mudar suas circunstâncias para melhor;
  • Intensifica a generosidade, a hospitalidade e o dom da caridade;
  • Reforça os sentimentos de unidade e irmandade entre os muçulmanos;
  • Suscita ordem e cumprimento rigoroso dos valores do período;
  • Serve como uma oportunidade para as crianças executarem a obediência e praticarem as leis islâmicas de adoração;
  • Oferece a chance de equilibrar a atenção da pessoa tanto para as necessidades físicas como para as espirituais.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Noite do Decreto

As dez últimas noites do mês de Ramadã:


(Vídeo explicativo sobre a importância deste período)



Dentro da tradição islâmica as últimas dez noites do mês de Ramadã são as mais importantes e abençoadas de todo o ano. O motivo: em uma destas noites o profeta Mohammad (Maomé) recebeu a visita do arcanjo Gabriel pela primeira vez, no ano de 610 d.C. Nesta noite foram revelados os cinco versículos que comporiam mais tarde a surata (capítulo) 96 do Alcorão, chamado "O Coágulo" (Al Alac). Nestes versículos Deus diz a Mohammad: "Recita, em nome do do teu Senhor que criou, criou o homem de um coágulo. Recita, que o teu Senhor é Generosíssimo. Que ensinou através do cálamo. Ensinou ao homem o que este não sabia".

A partir desta revelação Mohammad se tornou o profeta do Islamismo. Nos próximos 23 anos ele será o guia da Nação muçulmana e daí para sempre será reconhecido como um ser humano abençoado e escolhido por Deus como o último profeta enviado aos seres humanos.
Na surata 97 Deus revela a Mohammad o verdadeiro significado desta "Noite do Decreto": "Sabei que revelamos o Alcorão na Noite do Decreto. E o que te fará entender o que é a Noite do Decreto? A Noite do Decreto é melhor do que mil noites. Nela descem os anjos e o Espírito (Anjo Gabriel), com a anuência do teu Senhor, para executar todas as Suas ordens. Ela é paz até o romper da aurora".
Por estes motivos estas últimas dez noites devem ser reservadas a uma dedicação ainda maior de todos os muçulmanos. Eles que vêm cumprindo o Ramadã e seu jejum devem redobrar seus esforços e sua caridade nestes últimos dias

No calendário gregoriano este período será entre 07 e 17/07/2015.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Por que os Muçulmanos jejuam neste Mês?

Jejum de Ramadan (Saum)
Vídeo explicativo no final


Uma outra característica moral e espiritual do Islã é a instituição prescrita do jejum. Na sua definição literal, o Jejum significa abstinência completa de comer, beber, ter relações íntimas, e fumar no espaço de antes da alvorada até o pôr do Sol, durante todo o mês de Ramadã que é o nono mês do ano Islâmico. Mas seria um grave erro restringir o sentido do jejum Islâmico a essas definições literais.

Ao introduzir esta instituição sem par, o Islã plantou uma arvore de virtude infinita e frutos inestimáveis. Eis algumas explicações do significado espiritual do Jejum Islâmico.

1. Ensina ao homem o princípio do amor sincero porque se este respeitar o Jejum, provará o seu amor profundo a Deus. E quem ama Deus sinceramente sabe deveras o que é o amor.
2. Confere ao homem um sentido criador de Esperança e uma atitude otimista perante a realidade; porque fazendo Jejum, este espera agradar a Deus e procura a Graça d’Ele.
3. Dá ao homem uma genuína virtude de devoção ofensiva, de honesta dedicação e aproxima-o de Deus; porque é por Deus e por amor d’Ele que o homem faz Jejum.
4. Cultiva no homem uma consciência vigilante e sã; porque a pessoa faz Jejum em privado assim como em publico. Com respeito ao Jejum, nomeadamente, não há nenhuma autoridade mundana a controlar o comportamento da pessoa ou a obrigá-la a respeitar o Jejum. Esta faz Jejum para agradar a Deus e satisfazer a sua consciência de crente, em particular e em publico. Não existe melhor método para cultivar uma consciência sã.
5. Incentiva no homem a paciência e o altruísmo; porque, ao fazer Jejum, a pessoa sente o sofrimento da privação, mas resiste com paciência. É verdade que essa privação é só temporária; no entanto, sem duvida nenhuma é uma experiência que faz com que a pessoa compreenda o grave efeito deste sofrimento nos que talvez careçam dos bens essenciais durante dias ou semanas e alguns até meses inteiros. O sentido social e humanitário desta experiência é fazer com que essa pessoa simpatize com os seus sentimentos e satisfaça as necessidades deles mais depressa do que qualquer outra. E esta é uma expressão eloquente de altruísmo e verdadeira simpatia.
6. É uma verdadeira lição de aplicação da moderação e força de vontade. Quem fizer Jejum corretamente pode com certeza disciplinar os seus desejos apaixonados e colocar o seu ser acima das tentações físicas, Tal é o homem de personalidade e caráter, de vontade e determinação fortes.
7. Dá ao homem uma alma transparente para transcender, uma mente clara para pensar e um corpo leve para se mover e agir. Tudo isso é o resultado infalível dum estomago leve, o que tem sido comprovado pelas instruções medicas, regras biológicas e experiência intelectual.
8. Ensina ao homem uma nova maneira de fazer poupança judiciosas e planificar corretamente os gastos; porque a redução de comida e das refeições implica normalmente poupança de dinheiro e energia. É um curso espiritual de economia domestica e planificação dos gastos.
9. facilita ao homem o domínio da arte da adaptabilidade madura. Podemos compreendê-lo facilmente se notarmos que o Jejum faz mudar inteiramente o curso da vida diária. Por causa desta mudança, o homem adapta-se naturalmente a um novo sistema e reage para corresponder as novas condições. Com o tempo, desenvolve-se nele um judicioso sentido de adaptabilidade e uma força espontânea de superar as dificuldades imprevista da vida. Quem apreciar a adaptabilidade construtiva e a coragem avaliara desde já os efeitos do Jejum a esse respeito.
10. Cultiva no homem a disciplina e a sobrevivência saudável. Ao respeitar o curso regular do Jejum nos dias seguidos do mês sagrado e nos meses sagrados ano após ano, a pessoa submete-se com certeza a uma alta forma de disciplina e a elevado sentido da ordem. Da mesma maneira, ao aliviar o estomago, relaxando o aparelho digestivo, a pessoa assegura não apenas o corpo mas também a alma, contra o perigo resultante dum estomago sobrecarregado. Ao relaxar-se desta maneira, o homem assegura-se de que seu corpo vai sobreviver longe das perturbações e desordens habituais, e a sua alma não deixara de brilhar em paz e pureza.
11. Cria no homem o verdadeiro espírito de dedicação social, de unidade, fraternidade e de igualdade perante Deus assim como perante a Lei. Tal espírito emana naturalmente do fato da pessoa que Jejua sentir que pertence a sociedade muçulmana toda (Ummah), por cumprir o mesmo dever da mesma maneira e ao mesmo tempo, pelas mesmas razões e com o mesmo intuito. Nenhum sociólogo poderá afirmar ter existido em qualquer período da historia alguma coisa comparável a esta notável instituição do Islã.
12. É uma prescrição divina para readquirir a confiança em si próprio e exercer o auto-controle, para assegurar a vitória e a paz. Estes resultados nunca deixam de ser manifestar como viva realidade na alma de quem saber fazer o Jejum. Se o fizer corretamente, a pessoa poderá controlar-se, comandar totalmente as sua paixões, disciplinar os seus desejos e resistir a todas as tentações do mal. Por conseqüência, será capaz de readquirir a confiança em si próprio, de recuperar a dignidade e integridade e de se libertar do cativeiro do mal. Obtendo isso tudo, a pessoa consegue a paz da alma, que é a fonte da paz permanente com Deus, e portanto com todo o Universo.