Como responder a algumas perguntas sobre a mulher muçulmana?
Mais suportes para refutar a ideia de que as muçulmanas são oprimidas no Islamismo:
A Mulher no Islamismo:
São
várias as pessoas que entendem o Islamismo como se tratando de uma religião
machista, que minimiza a mulher. O uso do véu, a permissão para que o homem
tenha até quatro mulheres e os casamentos acertados pelos pais são algumas das
provas que levam a supor que a mulher, no Islamismo, não tem direitos e está
submissa ao homem. Para os muçulmanos, no entanto, a realidade é outra: esta
visão machista é transmitida pelos meios de comunicação que, na maioria dos
casos, desconhece a cultura islâmica e os detalhes contidos no Alcorão sobre as
relações entre homens e mulheres. Tentemos explicar cada uma das práticas que
caracterizam as mulheres no Islamismo:
a-)
O casamento com até quatro mulheres: no início do
Islamismo os primeiros muçulmanos se envolviam em inúmeras guerras para a
implantação da nova religião. A Arábia pré-islâmica era marcada pelo abuso dos
homens contra as mulheres: as meninas geralmente eram enterradas vivas ao
nascerem, pois era trabalhoso demais ter mulheres nas famílias; além disso, os
homens tinham inúmeras mulheres, com outras tantas concubinas, sem respeitar os
direitos de todas elas. O Alcorão estabeleceu as seguintes regras com relação
ao casamento: os homens só poderiam ter, no máximo, quatro mulheres, desde que
pudessem oferecer as mesmas condições para cada uma de suas esposas e
respectivas mulheres; caso não pudessem cumprir esta obrigação, deveriam se
limitar a apenas uma esposa. Mas porque mais de uma mulher? Como dito
anteriormente, os primeiros muçulmanos se envolviam em inúmeras guerras; as
mulheres, naquela época, dependiam inteiramente de seus esposos e parentes,
pois não possuíam a liberdade econômica que hoje possuem. Os homens morriam em
grande número e deixavam as mulheres desamparadas: para que elas não ficassem sozinhas
e viessem a se sustentar de maneiras ilícitas, Deus autorizou que os homens
tomassem mais de uma esposa, mas desde que pudesse sustentá-las da mesma forma.
Atualmente, o costume de se ter mais de uma esposa está entrando em desuso: nas
grandes cidades este costume não é mais seguido e as mulheres também não
aceitam mais dividir seus maridos com outras mulheres; apenas em lugares mais tradicionais
e menos modernos este costume ainda é seguido; nestes lugares o casamento
arranjado também é comum, mas está entrando em desuso. Portanto, não se trata
de uma questão de privilégio aos homens e sim uma questão histórica e que
surgiu como uma preocupação para com as próprias mulheres.
b-)
O uso do véu pelas mulheres: atualmente, muitos
países europeus estão proibindo que as mulheres usem o véu islâmico em público,
prevendo inclusive multas. Além disso, diversas organizações de proteção das
mulheres condenam o uso do véu como uma forma de opressão das mulheres. Por
outro lado, existem movimentos de mulheres muçulmanas que exigem o
reconhecimento de sua vontade de usar o véu, mesmo em público, e negam que tal
uso seja ofensivo à sua liberdade. A verdade, como sempre, está no meio termo.
Tentemos identificar a origem do uso do véu: nos primeiros anos da comunidade
islâmica o uso do véu foi adotado para diferenciar as mulheres de Maomé das
demais muçulmanas, como uma forma de respeito às esposas do profeta. No
entanto, as demais mulheres exigiram que os mesmos direitos das mulheres do
profeta fossem estendidos a todas as mulheres muçulmanas: portanto, o uso do
véu, que a princípio era restrito às mulheres do profeta, foi estendido a todas
as muçulmanas por exigência das próprias mulheres. O principal objetivo do véu
é resguardar a mulher da cobiça masculina, para que ela seja valorizada não
pela sua aparência, pelos seus atrativos físicos, e sim por seus valores morais
e de inteligência. Atualmente, no mundo moderno, sobretudo no Ocidente, a
mulher está exposta e é considerada mais como objeto sexual, sendo considerada
como uma mercadoria; o uso do véu nestes casos serviria para resguardar as
mulheres dos olhares de cobiça e para que elas sejam valorizadas pela sua
inteligência, pelos seus valores e pela sua moral e não apenas pela sua
aparência ou por sua beleza física, como se fosse uma mercadoria de mercado. No
entanto, o convívio das muçulmanas com o mundo moderno, sobretudo no Ocidente,
torna o uso do véu uma obrigação cada vez mais difícil. O debate sobre o uso do
véu como uma forma de opressão das mulheres ou uma forma de se identificar como
muçulmana é interminável, mas apenas quem entende sua origem e seu real
objetivo é capaz de formular uma opinião realmente racional e menos apaixonada.
A mulher não é oprimida no Islamismo, ao contrário do que se diz na mídia. Ela tem seus direitos e suas qualidades.
c-)
A mulher no Alcorão: o livro sagrado dos muçulmanos
destina-se a todos os humanos, sejam homens ou mulheres. São muitas as
passagens do Alcorão que citam as mulheres e sua importância, bem como a forma
como devem ser tratadas pelos homens:
“Vossas mulheres são vossas
sementeiras. Desfrutai, pois, da vossa sementeira, como vos apraz; porém,
praticai boas obras antecipadamente, temei a Deus e sabei que comparecereis
perante Ele. E tu (ó Mensageiro), anuncia aos crentes (a bem aventurança)” (Alcorão, capítulo 2,
versículo 223).
“Quanto àquelas, dentre vossas
mulheres, que tenham incorrido em adultério, apelai para quatro testemunhas,
dentre os vossos e, se estas o confirmarem, confinai-as em suas casas, até que
lhes chegue a morte ou que Deus lhes trace um novo destino” (Alcorão, capítulo 4, versículo
15).
“Está-vos vedado casar com: vossas
mães, vossas filhas, vossas irmãs, vossas tias paternas e maternas, vossas
sobrinhas, vossas nutrizes, vossas irmãs de leite, vossas sogras, vossas
enteadas que estão sob vossa tutela – filhas das mulheres com quem tenhais
coabitado; porém, se não houverdes tido relações com as mães, não sereis
recriminados por desposá-las. Também vos está vedado casar com as vossas noras,
esposas de vossos filhos carnais, bem como unir-vos, em matrimônio, com duas
irmãs – salvo fato consumado (anteriormente); sabei que Deus é Indulgente,
Misericordioso” (Alcorão, capítulo
4, versículo 23).
“Dize às crentes que recatem os
seus olhares, conservem os seus pudores e não mostrem os seus atrativos, além
dos que (normalmente)
aparecem; que cubram o colo com seus véus e não mostrem os seus atrativos, a
não ser aos seus esposos, seus pais, seus sogros, seus filhos, seus enteados,
seus irmãos, seus sobrinhos, às mulheres suas servas, que suas mãos direitas
possuem, seus criados isentos das necessidades sexuais, ou às crianças que não
discernem a nudez das mulheres; que não agitem os seus pés, para chamarem a
atenção sobre seus atrativos ocultos. Ó crentes, voltai-vos todos,
arrependidos, a Deus, a fim de que vos salveis” (Alcorão, capítulo 24, versículo 31).
Os
muçulmanos só podem se casar com as mulheres que sejam muçulmanas, cristãs e
judias; já as muçulmanas só podem se casar com muçulmanos, nunca com homens de
outra religião. O motivo desta obrigação se deve à preocupação com os filhos,
que também devem ser muçulmanos: a tendência é que as mulheres sempre sigam os
maridos à mesquita, mas um homem que não seja muçulmano dificilmente
acompanharia as mulheres às mesquitas ou deixariam que ela fosse sozinha; da
mesma forma, dificilmente deixariam que seus filhos fossem muçulmanos caso eles
próprios não fossem. Baseado na tendência histórica de que é o homem que sempre
decide a rotina familiar, esta obrigação das mulheres de se casarem apenas com
muçulmanos é uma preocupação religiosa e não um preconceito contra as mulheres.
d-)
Os costumes tradicionais e o Islamismo: costuma-se
confundir muito as tradições regionais com religião, coisa que não ajuda em
diminuir os preconceitos. Um exemplo muito claro se deu na Nigéria, onde uma
mulher muçulmana foi mutilada na sua genitália para que não sentisse prazer;
como ela era muçulmana e sua família também, a imprensa anunciou que os
muçulmanos mutilavam as suas mulheres. Isto não era verdade: o costume de se
mutilar a genitália feminina era anterior ao Islamismo, um costume da tribo
nigeriana que não tem relação alguma com o Islamismo. O próprio Alcorão defende
os direitos das mulheres e condena qualquer tipo de agressão e desprezo pelas
mulheres. Não podemos confundir, além disso, algumas lutas políticas regionais
com a essência do Islamismo: um exemplo disso é a Palestina, onde ocorrem
inúmeras disputas políticas, que costumam descambar para atentados políticos e
intolerância, mas se tratam de problemas de ordem política e não apenas
religiosa. Temos que tomar cuidado para não confundirmos problemas sociais e
políticos com tendências religiosas.
Vídeo que mostra o real tratamento dado às mulheres no Islamismo, o que muitas vezes a mídia de massas não costuma mostrar


