quarta-feira, 16 de abril de 2014

Al Mutaffifin

Capítulos traduzidos do Alcorão:

Al Mutaffifin - Os Fraudadores

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

As opções são dadas aos homens, através do livre-arbítrio que este recebeu de Deus. Nós temos a escolha de fazermos o que quisermos, mas somos avisados de que os homens bons e corretos receberão a recompensa de Deus, ao passo que aqueles que não cumprirem o que é certo também receberão a recompensa merecida. Ao final deste versículo está a recitação do capítulo em árabe.

1- Ai dos fraudadores,
2- Aqueles que, quando alguém lhes mede algo, exigem a medida plena.
3- Porém, quando eles medem ou pesam para os demais, dão-lhes menos que o devido.
4- Porventura, não consideram que serão ressuscitados,
5- Para o Dia Terrível?
6- Dia em que os seres comparecerão perante o Senhor do Universo?
7- Sabei que o registro dos corruptos estará preservado em Sijjin.
8- E o que te fará entender o que é Sijjin?
9- É um registro escrito.
10- Ai, nesse dia, dos desmentidores!
11- Que negam o Dia do Juízo,
12- Coisa que ninguém nega, senão o transgressor, pecador.
13- É aquele que, quando lhe são recitados os Nossos versículos, diz: São meras fábulas dos primitivos!
14- Em seus corações há a mácula (do pecado), que cometem.
15- Em verdade, nesse dia, estar-lhes-á vedado contemplar o seu SEnhor.
16- Então, entrarão na fogueira.
17- Em seguida, ser-lhes-á dito: Esta é a (realidade) que negáveis!
18- Sabei que o registro dos piedosos está preservado em Il'lilin!
19- E o que te fará entender o que é Il'lilin?
20- É um registro manuscrito,
21- Atestado por aqueles que estão próximos (ao seu Senhor).
22- Em verdade, os piedosos estarão em deleite.
23- Reclinados sobre almofadas, olhando-se de frente.
24- Reconhecerás, em seus rostos, o esplendor do deleite.
25- Ser-lhes-á dado a beber um néctar (de um frasco) lacrado,
26- Cujo lacre será de almíscar - que os que aspiram a isso diligenciem em sua aspiração.
27- Cuja mistura vem do Tasnim,
28- Que é uma fonte, da qual beberão os que estão próximos (a Allah).
29- Sabei que os pecadores riam-se dos crentes.
30- E quando passavam junto a eles, piscavam os olhos, uns para os outros,
31- E quando voltavam aos seus, voltavam ridicularizando (os crentes);
32- E quando os viam, diziam: Em verdade, estes estão extraviados!
33- Embora não estivessem destinados a ser os seus guardiães.
34- Porém, hoje, os crentes riem-se dos incrédulos.
35- E, reclinados sobre almofadas, observam-nos.
36- Acaso, os incrédulos não serão punidos, por tudo quanto tiverem cometido?

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
A palavra "fraudadores" deve, aqui, ser tomada com sentido amplo e geral. Ela compreende aqueles que proporcionam medidas e pesos a menos, mas abrange muito mais do que isso. Os dois versículos seguintes deixam claro que o que é condenável é o espírito de injustiça, ou seja, dar pouco e pedir muitíssimo. Isto pode ser verificado nas transações comerciais, em que uma pessoa exige padrões mais altos em seu favor do que em favor de outras pessoas. Em questões domésticas ou sociais, um indivíduo ou grupo exige honra, respeito e ajuda, que não é capaz de dispensar aos outros, em circunstâncias similares. Isso é pior do que o egoísmo unilateral, porquanto se trata de injustiça em dose dupla. Todavia, pior do que tudo é quando se trata de religião ou da vida espiritual; como uma pessoa pediria pela misericórdia e pelo amor de Deus, quando ela própria se furta a dispensá-los aos seus semelhantes?
As sanções legais e sociais contra a fraude dependem, para a sua eficácia, do fator flagrante. As sanções morais e religiosas são de espécies diferentes. Desejaríeis degradar a vossa própria natureza? Não levais em consideração que haverá o Dia o Acerto de Contas, perante um Juiz, Que de tudo sabe, pois é o Ressalvador de todos os interesses, Senhor e Velador do Universo?Esta é uma palavra proveniente da mesma raiz Sijn, prisão. Ela rima e contrasta com Il’lilin, no versículo 18 desta surata, mais adiante. Portanto, ela é compreendida pelos exegetas como um local, uma prisão ou uma masmorra, em que os iníquos serão confinados, estando pendente a sua apresentação perante o Trono do Julgamento. A menção do Registro Escrito, no versículo 9 desta surata, talvez evidencie que Sijjin seja o nome do Registro dos Feitos Denegridos, embora esse versículo seja elítico e talvez apenas descreva o local, pelo sentido do seu conteúdo.
Se considerarmos Sijjin como sendo o próprio Registro, e não o local em que ele é guardado, o próprio Registro será uma espécie de prisão, para aqueles que fazem o mal. Es está escrito, por extenso: ninguém, que estiver ali, se ocultará, e para cada entrada haverá um completo Registro, a fim de que não haja escapatória para o pecador. Certamente, não devemos tomá-lo como um registro material, feito de papel ou de pergaminho, escrito com pena e tinta. Toda a descrição é metafórica quando ao inescapável registro que o pecado cria; cada detalhe, cada intenção, cada maneirismo, cada circunstância, etc., contribui para a deterioração do pecador.
Il’lilin é o caso oblíquo da forma subjetiva il liun, que aparece no versículo seguinte. Contrasta com Sijjin, que aparece no versículo 7, desta surata. Literalmente, significa "Planos Elevados". Aplicando o paralelismo racional, o que fizemos quanto a Sijjin, poderemos interpretar a palavra como o local onde é guardado o Registro dos Virtuosos.
Tasnim, literalmente, indica altura, plenitude, opulência. Aqui é o nome de uma Fonte celestial, que fornece uma bebida superior ao néctar. Esta será ingerida por aqueles que estiverem próximos a Deus, os mais elevados em dignidade espiritual; todavia, uma amostra dela será dada a todos, de acordo com as suas capacidades espirituais.



quinta-feira, 20 de março de 2014

Al Inxicac - A Fenda

Tradução de um capítulo do Alcorão

Prof. Samir El Hayek:

84º Capítulo - Al Inxicac - A Fenda:

Este capítulo do Alcorão fala sobre o momento em que tudo que existe irá acabar e então estaremos frente a frente com Deus, o criador de tudo. Neste momento não teremos advogados nem como dissimularmos nossos atos e nossos pensamentos. Toda a verdade estará exposta em dois livros, um com os atos positivos e outro com os atos negativos. É claro que a figura dos livros é alegórica, mas serve para mostrarmos que tudo que fazemos tem um registro ao qual não poderemos fugir. Escute a recitação do capítulo no final.

1- Quando o céu se fender,
2- E obedecer ao mando do seu Senhor, em seu temor,
3- E quando a terra for dilatada,
4- E arrojar tudo quanto nela há, e ficar vazia,
5- E obedecer ao mando do seu Senhor, em seu temor,
6- Ó humano, em verdade, esforçar-te-ás afoitamente por compareceres ante o teu Senhor. Logo O encontrarás!
7- Quanto àquele a quem for entregue o registro na destra,
8- De pronto será julgado com doçura,
9- E retornará, alegre, aos seus.
10- Porém, aquele a quem for entre o registro por trás das costas,
11- Este suplicará, de pronto, pela perdição,
12- E entrará no Fogo abrasador,
13- Por se ter alegrado entre os seus,
14- E por ter acreditado que jamais compareceria ante Nós!
15- Pois sim! Em verdade, seu Senhor o via.
16- Juro, pelo crepúsculo róseo,
17- E pela noite, e por tudo quanto ela envolve,
18- E pela lua, quando está cheia,
19- Que caminhareis de estágio em estágio.
20- Que há com eles, que não creem?
21- E por que, quando lhes é lido o Alcorão, não se prostram?
22- E os incrédulos o negam?
23- Mas Allah bem sabe tudo quanto segredam.
24- Anuncia-lhes, pois, um doloroso castigo,
25- Exceto aos crentes, que praticam o bem, os quais obterão uma recompensa infalível.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

Nós talvez pensemos que o firmamento que vemos, muito acima das nossas cabeças, alto e indevassável, aparentemente vasto e ilimitado, eterno e infinito, não seja matéria criada. Mas é. E assim permanecerá tanto tempo quanto quiser Allah, nem um segundo mais. Tão logo o Seu Comando apontar para a sua dissolução, ele obedecerá e desaparecerá, e todos os seus mistérios serão esvaziados. E isso deve necessariamente ser assim, porquanto a sua própria natureza, como ser criado, exige que ele se curve ante a Voz do seu Criador, mesmo ao preço da sua própria extinção.
A Terra é um globo, encerrando em seu bojo muitos segredos e mistérios, ouro e diamantes em suas minas, calor e forças magnéticas em suas entranhas, bem como corpos de incontáveis gerações de homens, enterradas em seu solo. Com a sua erupção, todas essas coisas serão lançadas para fora; ela perderá a sua forma e deixará de existir. Um significado mais místico encontra-se além do sentido comum da extinção do céu e da terra, como os vemos. As nossas ideias, quanto a eles, aos seus conteúdos subjetivos, com relação a nós mesmos, perderão também todo o propósito e toda a consistência, e desaparecerão perante a veracidade eterna.
A astronômica lua cheia, em relação a nós, não dura senão um momento. No momento em que a lua está cheia ela começa a declinar, e no momento em que ela está em seu "desfalecimento interlunar", ela novamente inicia a sua carreira para tornar-se lua nova. Assim é a vida do homem, aqui embaixo; não é fixa ou permanente, tanto nas suas fases materiais, ou , o que é ainda mais estarrecedor, em suas fases mais sutis, intelectual, emocional e espiritual.
O homem viaja e ascende de plano a plano. A vida espiritual do homem poderá, similarmente, ser comparada a uma ascensão de um céu para o outro.


Recitação do capítulo 84 - Al Inxicac em árabe



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Al Buruj

Al Buruj - 85º Capítulo do Alcorão - As Constelações:

Neste capítulo do Alcorão a referência do título são as constelações, formações cósmicas que são tão grandiosas que parecem fictícias, mas estão presentes. Até mesmo estas criações grandiosas fazem parte da obra de Deus. Portanto, se Ele está no comando de tais coisas complexas, também está na complexidade da criatura por excelência, o Ser Humano. No final do post apresento a recitação em árabe deste capítulo.

1- Pelo céu, repleto de constelações;
2- E pelo Dia do Julgamento prometido;
3- E pela testemunha e por aquilo de que presta testemunho;
4- Que pereçam os donos do fosso,
5- Do fogo, com abundante combustível;
6- Estando eles sentados ao seu redor,
7- Presenciando o que fizeram contra os crentes,
8- Maltrataram-nos, porque acreditavam em Allah, o Poderoso, o Laudabilíssimo,
9- Ao Qual pertence o reino dos céus e da terra; e Allah é, de tudo, Testemunha,
10- Sabei que aqueles que perseguem os crentes e as crentes e não se arrependem sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do Fogo.
11- Por outra, os crentes, que praticam o bem, obterão jardins abaixo dos quais correm rios; tal será o grande benefício!
12- Em verdade, a punição do teu Senhor será severíssima,
13- Porque Ele origina (a criação) e logo a reproduz.
14- É o Remissório, o Amabilíssimo,
15- O Senhor do Trono Glorioso.
16- Executante de tudo quanto Lhe apraz.
17- Reparaste, acaso, na história dos exércitos
18- Do Faraó e do povo de Samud?
19- Sem dúvida, os incrédulos persistem em desmentir-te;
20- Porém, Allah abrange-os, por trás.
21- Sim, este é um Alcorão Glorioso,
22- Inscrito em uma Tábua Preservada.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

Eis aqui uma invocação dos três símbolos dos versículos de 1 a 3, sendo que a proposição substantiva encontra-se encerrada nos versículos de 4 a 8, constituindo-se de uma denúncia quanto aos perseguidores corruptos dos devotos de Allah, perseguidores estes que queimavam os virtuosos, apenas por causa da sua Fé. Os três símbolos são:

I- O firmamento glorioso, com um amplíssimo acúmulo de constelações, designando os doze signos do Zodíaco;
II- O Dia do Julgamento, em que todo o mal será punido;
III- Certas pessoas que testemunharão, e certas pessoas ou circunstâncias que serão objetos dos testemunhos;

O significado literal é claro, mas a sua aplicação metafórica tem sido explicada numa considerável variedade de maneiras, por diferentes exegetas. As palavras são claramente compreensivas e deveriam, achamos, ser entendidas em conexão com o Julgamento. Então, as testemunhas seriam: o Profeta; o Próprio Allah; os anjos registradores; os mal utilizados membros do próprio pecador; o seu registro de ações; o próprio pecador. O assunto do testemunho poderá ser a ação ou o crime, ou o pecador contra quem o testemunho clama. A invocação destas contingências significa que o pecador não poderá possivelmente escapar às consequências de seu crime. Ele deverá arrepender-se, procurar a Misericórdia de Allah, e emendar-se na vida.

Quem eram os executantes, no fosso do fogo, no qual eram queimadas as pessoas por causa da fé? As palavras estão generalizadas, e não precisaremos procurar por nomes em particular, a não ser para efeito de ilustração. Na história antiga e na Europa Medieval, muitas vidas foram sacrificadas na fogueira, porquanto as vítimas não se conformavam com a religião estabelecida. Na tradição árabe encontramos a história de Zu-Nuwas, o último rei himiarita, do Iêmen, judeu por religião, que perseguia os cristãos de Najram, sendo constatado que queimou muitos deles na fogueira. Parece que ele viveu na última metade do sexto século cristão, fazendo parte da geração imediatamente precedente ao nascimento do Profeta, no ano 570 d.C.

Em contraste com o real, todo abrangente e eterno poder de Allah, quais são as forças do homem, no seu melhor estado? Dois exemplos são mencionados:

I- O Faraó era um monarca orgulhoso de um poderoso reino, com recursos, e uma organização material, moral e intelectual, tão boa quanto qualquer outra no mundo. Quando ele se voltou contra o profeta de Allah (Moisés), ele e as suas forças foram destruídas;
II- Os membros do povo de Samud eram grandes construtores, e possuíam um elevado padrão de civilização material. Porém, desafiaram a lei de Allah, e pereceram.

Inscrito em uma Tábua Preservada, isto é, a Mensagem de Allah não é efêmera, é eterna. A "Tábua" é "preservada", ou resguardada, contra a corrupção, porque a Mensagem de Deus deverá durar para sempre. Tal mensagem constitui a "base do Livro".



domingo, 9 de fevereiro de 2014

At Táric - O Visitante Noturno

Tradução de capítulos do Alcorão

At Táric - O Visitante Noturno - 86º Capítulo do Alcorão:

"Cada alma tem sobre si um guardião angelical". Sobre isso versa este capítulo, anunciando a proteção e o acompanhamento que Deus nos envia. Os anjos não apenas nos protegem, mas também registram todos os nosso atos. E não devemos levar isso ao pé da letra: este registro é feito por Deus, dentro de sua onisciência. No final apresento a recitação deste capítulo.
1- Pelo céu e pelo visitante noturno;
2- E o que te fará entender o que é o visitante noturno?
3- É a estrela fulgurante!
4- Cada alma tem sobre si um guardião angelical.
5- Que o homem considere, pois, do quê foi criado!
6- Foi criado de uma gota ejaculada.
7- Que emana de entre a espinha dorsal e das costelas.
8- Sabei que Ele é capaz de ressuscitá-lo!
9- Isso se dará no dia em que forem revelados os segredos,
10- E em que o homem carecerá de poder e de um socorredor.
11- Pelo céu, que proporciona a volta da chuva.
12- E pela terra, que se fende com o crescimento das plantas,
13- Que esta é a palavra que distingue o bem do mal,
14- E não entretenimento.
15- Em verdade, eles conspiram intensivamente contra ti,
17- Tolera, pois, os incrédulos; tolera-os, por ora!

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

A invocação, aqui, constitui-se de um singelo e místico símbolo, a saber, o céu, com o seu visitante noturno, sendo que a proposição substantiva se encontra no versículo 4: "Cada alma tem sobre si um guardião angelical". No capítulo anterior, constatamos a perseguição aos partidários da Causa de Allah, e ficamos cientes de como Allah os protegeu. Aqui é apresentado o mesmo tema, mas sob outro aspecto. Na escuridão do firmamento aparece mais brilhantemente a luz da mais brilhante estrela. Assim, na noite da escuridão espiritual - quer por ignorância, quer por desespero - brilha a gloriosa estrela da Revelação Divina. Pelo mesmo indício, o homem afeito à Fé e à Verdade nada terá a temer. Allah protege os Seus. A "Estrela Fulgurante" é compreendida como sendo a Estrela d'Alva, por uns, e o planeta Saturno, por outros, e, ainda, Sírio, ou como uma estrela cadente. Achamos que o melhor será tomá-la como "estrela", no sentido coletivo ou genérico, porquanto as estrelas brilham todas as noites do ano, e os brilhos fulgurantes são mais descartáveis, nas noites mais escuras sem luar.
O sêmen do homem constitui a quintessência do seu corpo. Portanto, diz-se, metaforicamente, que ele provém da sua virilha, ou seja, de entre a bacia e as costelas, emanando da conjunção das regiões sexuais do homem e da mulher. A sua espinha dorsal é a fonte e o símbolo do seu vigor e da sua personalidade. Na medula espinhal e no cérebro encontra-se a energia diretora do sistema nervoso central, sendo que é esta que dirige toda a ação, quer orgânica quer psíquica. A espinha dorsal corre paralela à medula óssea no cérebro.
O Criador, Que pode combinar as forças da ação muscular, física ou psíquica, na criação do homem, como foi explicado no último parágrafo, poderá, com certeza, dar-lhe uma nova vida, depois da morte física aqui, e restaurar-lhe a personalidade, no mundo novo que se lhe abrirá no futuro.
Nesse mundo novo, todas as nossas ações, intenções, imaginações, todos os nossos pensamentos, enfim, nesta vida, embora secretos, serão expostos como um livro aberto, e julgados segundo os padrões da absoluta Verdade, e não segundo falsos  padrões de costumes, de preconceitos ou de parcialidades. Nesse severo julgamento, quaisquer vantagens fortuitas desta vida, sejam quais forem, não terão força ou valia, não podendo ajudar de modo algum.
O firmamento, acima de nós, é sempre o mesmo, e ainda realiza o seu giro diuturno, suave e pontualmente. Assim, também, a Revelação de Allah apresenta a verdade que, como um circuito, mantém-se sempre fiel ao seu centro - que é sempre o mesmo, embora gravite em torno das cambiantes circunstâncias da nossa vida presente.
A terra pode parecer dura; mas dela as fontes podem jorrar, e os vegetais podem brotar, e tornarem-na verdejante e fofa. Assim acontece com a Verdade: talvez pareça dura para os mortais; mas, através do expediente fertilizador da Revelação, ela permite que a nossa personalidade venha a jorrar e a florescer.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Islamismo e os costumes locais

Será que o Islamismo é responsável por isso????



Não raras vezes nos deparamos com notícias alarmantes vindas de países islâmicos: mulheres que tiveram seus clítoris cortados para não sentirem prazer, meninas que se casam com adultos e são desvirginadas na primeira noite, entre outras notícias.
Além do fato de que a mídia ocidental tem especial "prazer" em colocar o Islamismo em uma situação constrangedora, ficam as dúvidas a respeito de cada um destes atos. Será que o Islamismo prega ou defende este tipo de ação? Quando um homem corta o órgão sexual de uma mulher ele está seguindo uma lei do Alcorão Sagrado? Quando um homem se casa com uma menina de 10 anos e procura ter relações sexuais com ela ele está seguindo um costume normal na religião islâmica?

A resposta para ambas as perguntas é a mesma: não! O que acontece é uma confusão grandiosa a respeito do que são "costumes locais" com "costumes religiosos". O ato de mutilar uma mulher não tem relação alguma com o Islamismo: em nenhum versículo do Alcorão ou ensinamentos do profeta Mohammad existe uma linha sequer pregando ou mesmo defendendo tal ato. Este tipo de prática já era recorrente nestes países antes do advento do Islamismo, ou seja, já era um costume tribal que o Islamismo não criou, mas também não conseguiu interromper. Da mesma forma o casamento com crianças não é uma prática defendida pelo Islamismo. Até podem ocorrer o casamento formal entre um adulto e uma criança, mas a consumação do casamento só deverá ser realizado quando a menina se tornar uma mulher.

Costuma-se confundir estes costumes que são anteriores ao Islamismo como se fossem práticas exclusivas da religião ou defendidas por ela. Não há nenhum rigor histórico em se analisar as informações e se atribuem ao Islamismo uma série de ações que nada têm a ver com ele.  Da mesma forma que o Terrorismo não é comum a todos os muçulmanos, nem mesmo é defendido no Alcorão, não se pode atribuir costumes locais a práticas religiosas.

Fica a dica.