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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Al Mutaffifin

Capítulos traduzidos do Alcorão:

Al Mutaffifin - Os Fraudadores

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

As opções são dadas aos homens, através do livre-arbítrio que este recebeu de Deus. Nós temos a escolha de fazermos o que quisermos, mas somos avisados de que os homens bons e corretos receberão a recompensa de Deus, ao passo que aqueles que não cumprirem o que é certo também receberão a recompensa merecida. Ao final deste versículo está a recitação do capítulo em árabe.

1- Ai dos fraudadores,
2- Aqueles que, quando alguém lhes mede algo, exigem a medida plena.
3- Porém, quando eles medem ou pesam para os demais, dão-lhes menos que o devido.
4- Porventura, não consideram que serão ressuscitados,
5- Para o Dia Terrível?
6- Dia em que os seres comparecerão perante o Senhor do Universo?
7- Sabei que o registro dos corruptos estará preservado em Sijjin.
8- E o que te fará entender o que é Sijjin?
9- É um registro escrito.
10- Ai, nesse dia, dos desmentidores!
11- Que negam o Dia do Juízo,
12- Coisa que ninguém nega, senão o transgressor, pecador.
13- É aquele que, quando lhe são recitados os Nossos versículos, diz: São meras fábulas dos primitivos!
14- Em seus corações há a mácula (do pecado), que cometem.
15- Em verdade, nesse dia, estar-lhes-á vedado contemplar o seu SEnhor.
16- Então, entrarão na fogueira.
17- Em seguida, ser-lhes-á dito: Esta é a (realidade) que negáveis!
18- Sabei que o registro dos piedosos está preservado em Il'lilin!
19- E o que te fará entender o que é Il'lilin?
20- É um registro manuscrito,
21- Atestado por aqueles que estão próximos (ao seu Senhor).
22- Em verdade, os piedosos estarão em deleite.
23- Reclinados sobre almofadas, olhando-se de frente.
24- Reconhecerás, em seus rostos, o esplendor do deleite.
25- Ser-lhes-á dado a beber um néctar (de um frasco) lacrado,
26- Cujo lacre será de almíscar - que os que aspiram a isso diligenciem em sua aspiração.
27- Cuja mistura vem do Tasnim,
28- Que é uma fonte, da qual beberão os que estão próximos (a Allah).
29- Sabei que os pecadores riam-se dos crentes.
30- E quando passavam junto a eles, piscavam os olhos, uns para os outros,
31- E quando voltavam aos seus, voltavam ridicularizando (os crentes);
32- E quando os viam, diziam: Em verdade, estes estão extraviados!
33- Embora não estivessem destinados a ser os seus guardiães.
34- Porém, hoje, os crentes riem-se dos incrédulos.
35- E, reclinados sobre almofadas, observam-nos.
36- Acaso, os incrédulos não serão punidos, por tudo quanto tiverem cometido?

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
A palavra "fraudadores" deve, aqui, ser tomada com sentido amplo e geral. Ela compreende aqueles que proporcionam medidas e pesos a menos, mas abrange muito mais do que isso. Os dois versículos seguintes deixam claro que o que é condenável é o espírito de injustiça, ou seja, dar pouco e pedir muitíssimo. Isto pode ser verificado nas transações comerciais, em que uma pessoa exige padrões mais altos em seu favor do que em favor de outras pessoas. Em questões domésticas ou sociais, um indivíduo ou grupo exige honra, respeito e ajuda, que não é capaz de dispensar aos outros, em circunstâncias similares. Isso é pior do que o egoísmo unilateral, porquanto se trata de injustiça em dose dupla. Todavia, pior do que tudo é quando se trata de religião ou da vida espiritual; como uma pessoa pediria pela misericórdia e pelo amor de Deus, quando ela própria se furta a dispensá-los aos seus semelhantes?
As sanções legais e sociais contra a fraude dependem, para a sua eficácia, do fator flagrante. As sanções morais e religiosas são de espécies diferentes. Desejaríeis degradar a vossa própria natureza? Não levais em consideração que haverá o Dia o Acerto de Contas, perante um Juiz, Que de tudo sabe, pois é o Ressalvador de todos os interesses, Senhor e Velador do Universo?Esta é uma palavra proveniente da mesma raiz Sijn, prisão. Ela rima e contrasta com Il’lilin, no versículo 18 desta surata, mais adiante. Portanto, ela é compreendida pelos exegetas como um local, uma prisão ou uma masmorra, em que os iníquos serão confinados, estando pendente a sua apresentação perante o Trono do Julgamento. A menção do Registro Escrito, no versículo 9 desta surata, talvez evidencie que Sijjin seja o nome do Registro dos Feitos Denegridos, embora esse versículo seja elítico e talvez apenas descreva o local, pelo sentido do seu conteúdo.
Se considerarmos Sijjin como sendo o próprio Registro, e não o local em que ele é guardado, o próprio Registro será uma espécie de prisão, para aqueles que fazem o mal. Es está escrito, por extenso: ninguém, que estiver ali, se ocultará, e para cada entrada haverá um completo Registro, a fim de que não haja escapatória para o pecador. Certamente, não devemos tomá-lo como um registro material, feito de papel ou de pergaminho, escrito com pena e tinta. Toda a descrição é metafórica quando ao inescapável registro que o pecado cria; cada detalhe, cada intenção, cada maneirismo, cada circunstância, etc., contribui para a deterioração do pecador.
Il’lilin é o caso oblíquo da forma subjetiva il liun, que aparece no versículo seguinte. Contrasta com Sijjin, que aparece no versículo 7, desta surata. Literalmente, significa "Planos Elevados". Aplicando o paralelismo racional, o que fizemos quanto a Sijjin, poderemos interpretar a palavra como o local onde é guardado o Registro dos Virtuosos.
Tasnim, literalmente, indica altura, plenitude, opulência. Aqui é o nome de uma Fonte celestial, que fornece uma bebida superior ao néctar. Esta será ingerida por aqueles que estiverem próximos a Deus, os mais elevados em dignidade espiritual; todavia, uma amostra dela será dada a todos, de acordo com as suas capacidades espirituais.



quinta-feira, 20 de março de 2014

Al Inxicac - A Fenda

Tradução de um capítulo do Alcorão

Prof. Samir El Hayek:

84º Capítulo - Al Inxicac - A Fenda:

Este capítulo do Alcorão fala sobre o momento em que tudo que existe irá acabar e então estaremos frente a frente com Deus, o criador de tudo. Neste momento não teremos advogados nem como dissimularmos nossos atos e nossos pensamentos. Toda a verdade estará exposta em dois livros, um com os atos positivos e outro com os atos negativos. É claro que a figura dos livros é alegórica, mas serve para mostrarmos que tudo que fazemos tem um registro ao qual não poderemos fugir. Escute a recitação do capítulo no final.

1- Quando o céu se fender,
2- E obedecer ao mando do seu Senhor, em seu temor,
3- E quando a terra for dilatada,
4- E arrojar tudo quanto nela há, e ficar vazia,
5- E obedecer ao mando do seu Senhor, em seu temor,
6- Ó humano, em verdade, esforçar-te-ás afoitamente por compareceres ante o teu Senhor. Logo O encontrarás!
7- Quanto àquele a quem for entregue o registro na destra,
8- De pronto será julgado com doçura,
9- E retornará, alegre, aos seus.
10- Porém, aquele a quem for entre o registro por trás das costas,
11- Este suplicará, de pronto, pela perdição,
12- E entrará no Fogo abrasador,
13- Por se ter alegrado entre os seus,
14- E por ter acreditado que jamais compareceria ante Nós!
15- Pois sim! Em verdade, seu Senhor o via.
16- Juro, pelo crepúsculo róseo,
17- E pela noite, e por tudo quanto ela envolve,
18- E pela lua, quando está cheia,
19- Que caminhareis de estágio em estágio.
20- Que há com eles, que não creem?
21- E por que, quando lhes é lido o Alcorão, não se prostram?
22- E os incrédulos o negam?
23- Mas Allah bem sabe tudo quanto segredam.
24- Anuncia-lhes, pois, um doloroso castigo,
25- Exceto aos crentes, que praticam o bem, os quais obterão uma recompensa infalível.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

Nós talvez pensemos que o firmamento que vemos, muito acima das nossas cabeças, alto e indevassável, aparentemente vasto e ilimitado, eterno e infinito, não seja matéria criada. Mas é. E assim permanecerá tanto tempo quanto quiser Allah, nem um segundo mais. Tão logo o Seu Comando apontar para a sua dissolução, ele obedecerá e desaparecerá, e todos os seus mistérios serão esvaziados. E isso deve necessariamente ser assim, porquanto a sua própria natureza, como ser criado, exige que ele se curve ante a Voz do seu Criador, mesmo ao preço da sua própria extinção.
A Terra é um globo, encerrando em seu bojo muitos segredos e mistérios, ouro e diamantes em suas minas, calor e forças magnéticas em suas entranhas, bem como corpos de incontáveis gerações de homens, enterradas em seu solo. Com a sua erupção, todas essas coisas serão lançadas para fora; ela perderá a sua forma e deixará de existir. Um significado mais místico encontra-se além do sentido comum da extinção do céu e da terra, como os vemos. As nossas ideias, quanto a eles, aos seus conteúdos subjetivos, com relação a nós mesmos, perderão também todo o propósito e toda a consistência, e desaparecerão perante a veracidade eterna.
A astronômica lua cheia, em relação a nós, não dura senão um momento. No momento em que a lua está cheia ela começa a declinar, e no momento em que ela está em seu "desfalecimento interlunar", ela novamente inicia a sua carreira para tornar-se lua nova. Assim é a vida do homem, aqui embaixo; não é fixa ou permanente, tanto nas suas fases materiais, ou , o que é ainda mais estarrecedor, em suas fases mais sutis, intelectual, emocional e espiritual.
O homem viaja e ascende de plano a plano. A vida espiritual do homem poderá, similarmente, ser comparada a uma ascensão de um céu para o outro.


Recitação do capítulo 84 - Al Inxicac em árabe



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Al Buruj

Al Buruj - 85º Capítulo do Alcorão - As Constelações:

Neste capítulo do Alcorão a referência do título são as constelações, formações cósmicas que são tão grandiosas que parecem fictícias, mas estão presentes. Até mesmo estas criações grandiosas fazem parte da obra de Deus. Portanto, se Ele está no comando de tais coisas complexas, também está na complexidade da criatura por excelência, o Ser Humano. No final do post apresento a recitação em árabe deste capítulo.

1- Pelo céu, repleto de constelações;
2- E pelo Dia do Julgamento prometido;
3- E pela testemunha e por aquilo de que presta testemunho;
4- Que pereçam os donos do fosso,
5- Do fogo, com abundante combustível;
6- Estando eles sentados ao seu redor,
7- Presenciando o que fizeram contra os crentes,
8- Maltrataram-nos, porque acreditavam em Allah, o Poderoso, o Laudabilíssimo,
9- Ao Qual pertence o reino dos céus e da terra; e Allah é, de tudo, Testemunha,
10- Sabei que aqueles que perseguem os crentes e as crentes e não se arrependem sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do Fogo.
11- Por outra, os crentes, que praticam o bem, obterão jardins abaixo dos quais correm rios; tal será o grande benefício!
12- Em verdade, a punição do teu Senhor será severíssima,
13- Porque Ele origina (a criação) e logo a reproduz.
14- É o Remissório, o Amabilíssimo,
15- O Senhor do Trono Glorioso.
16- Executante de tudo quanto Lhe apraz.
17- Reparaste, acaso, na história dos exércitos
18- Do Faraó e do povo de Samud?
19- Sem dúvida, os incrédulos persistem em desmentir-te;
20- Porém, Allah abrange-os, por trás.
21- Sim, este é um Alcorão Glorioso,
22- Inscrito em uma Tábua Preservada.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

Eis aqui uma invocação dos três símbolos dos versículos de 1 a 3, sendo que a proposição substantiva encontra-se encerrada nos versículos de 4 a 8, constituindo-se de uma denúncia quanto aos perseguidores corruptos dos devotos de Allah, perseguidores estes que queimavam os virtuosos, apenas por causa da sua Fé. Os três símbolos são:

I- O firmamento glorioso, com um amplíssimo acúmulo de constelações, designando os doze signos do Zodíaco;
II- O Dia do Julgamento, em que todo o mal será punido;
III- Certas pessoas que testemunharão, e certas pessoas ou circunstâncias que serão objetos dos testemunhos;

O significado literal é claro, mas a sua aplicação metafórica tem sido explicada numa considerável variedade de maneiras, por diferentes exegetas. As palavras são claramente compreensivas e deveriam, achamos, ser entendidas em conexão com o Julgamento. Então, as testemunhas seriam: o Profeta; o Próprio Allah; os anjos registradores; os mal utilizados membros do próprio pecador; o seu registro de ações; o próprio pecador. O assunto do testemunho poderá ser a ação ou o crime, ou o pecador contra quem o testemunho clama. A invocação destas contingências significa que o pecador não poderá possivelmente escapar às consequências de seu crime. Ele deverá arrepender-se, procurar a Misericórdia de Allah, e emendar-se na vida.

Quem eram os executantes, no fosso do fogo, no qual eram queimadas as pessoas por causa da fé? As palavras estão generalizadas, e não precisaremos procurar por nomes em particular, a não ser para efeito de ilustração. Na história antiga e na Europa Medieval, muitas vidas foram sacrificadas na fogueira, porquanto as vítimas não se conformavam com a religião estabelecida. Na tradição árabe encontramos a história de Zu-Nuwas, o último rei himiarita, do Iêmen, judeu por religião, que perseguia os cristãos de Najram, sendo constatado que queimou muitos deles na fogueira. Parece que ele viveu na última metade do sexto século cristão, fazendo parte da geração imediatamente precedente ao nascimento do Profeta, no ano 570 d.C.

Em contraste com o real, todo abrangente e eterno poder de Allah, quais são as forças do homem, no seu melhor estado? Dois exemplos são mencionados:

I- O Faraó era um monarca orgulhoso de um poderoso reino, com recursos, e uma organização material, moral e intelectual, tão boa quanto qualquer outra no mundo. Quando ele se voltou contra o profeta de Allah (Moisés), ele e as suas forças foram destruídas;
II- Os membros do povo de Samud eram grandes construtores, e possuíam um elevado padrão de civilização material. Porém, desafiaram a lei de Allah, e pereceram.

Inscrito em uma Tábua Preservada, isto é, a Mensagem de Allah não é efêmera, é eterna. A "Tábua" é "preservada", ou resguardada, contra a corrupção, porque a Mensagem de Deus deverá durar para sempre. Tal mensagem constitui a "base do Livro".



domingo, 9 de fevereiro de 2014

At Táric - O Visitante Noturno

Tradução de capítulos do Alcorão

At Táric - O Visitante Noturno - 86º Capítulo do Alcorão:

"Cada alma tem sobre si um guardião angelical". Sobre isso versa este capítulo, anunciando a proteção e o acompanhamento que Deus nos envia. Os anjos não apenas nos protegem, mas também registram todos os nosso atos. E não devemos levar isso ao pé da letra: este registro é feito por Deus, dentro de sua onisciência. No final apresento a recitação deste capítulo.
1- Pelo céu e pelo visitante noturno;
2- E o que te fará entender o que é o visitante noturno?
3- É a estrela fulgurante!
4- Cada alma tem sobre si um guardião angelical.
5- Que o homem considere, pois, do quê foi criado!
6- Foi criado de uma gota ejaculada.
7- Que emana de entre a espinha dorsal e das costelas.
8- Sabei que Ele é capaz de ressuscitá-lo!
9- Isso se dará no dia em que forem revelados os segredos,
10- E em que o homem carecerá de poder e de um socorredor.
11- Pelo céu, que proporciona a volta da chuva.
12- E pela terra, que se fende com o crescimento das plantas,
13- Que esta é a palavra que distingue o bem do mal,
14- E não entretenimento.
15- Em verdade, eles conspiram intensivamente contra ti,
17- Tolera, pois, os incrédulos; tolera-os, por ora!

Explicações do Prof. Samir El Hayek:

A invocação, aqui, constitui-se de um singelo e místico símbolo, a saber, o céu, com o seu visitante noturno, sendo que a proposição substantiva se encontra no versículo 4: "Cada alma tem sobre si um guardião angelical". No capítulo anterior, constatamos a perseguição aos partidários da Causa de Allah, e ficamos cientes de como Allah os protegeu. Aqui é apresentado o mesmo tema, mas sob outro aspecto. Na escuridão do firmamento aparece mais brilhantemente a luz da mais brilhante estrela. Assim, na noite da escuridão espiritual - quer por ignorância, quer por desespero - brilha a gloriosa estrela da Revelação Divina. Pelo mesmo indício, o homem afeito à Fé e à Verdade nada terá a temer. Allah protege os Seus. A "Estrela Fulgurante" é compreendida como sendo a Estrela d'Alva, por uns, e o planeta Saturno, por outros, e, ainda, Sírio, ou como uma estrela cadente. Achamos que o melhor será tomá-la como "estrela", no sentido coletivo ou genérico, porquanto as estrelas brilham todas as noites do ano, e os brilhos fulgurantes são mais descartáveis, nas noites mais escuras sem luar.
O sêmen do homem constitui a quintessência do seu corpo. Portanto, diz-se, metaforicamente, que ele provém da sua virilha, ou seja, de entre a bacia e as costelas, emanando da conjunção das regiões sexuais do homem e da mulher. A sua espinha dorsal é a fonte e o símbolo do seu vigor e da sua personalidade. Na medula espinhal e no cérebro encontra-se a energia diretora do sistema nervoso central, sendo que é esta que dirige toda a ação, quer orgânica quer psíquica. A espinha dorsal corre paralela à medula óssea no cérebro.
O Criador, Que pode combinar as forças da ação muscular, física ou psíquica, na criação do homem, como foi explicado no último parágrafo, poderá, com certeza, dar-lhe uma nova vida, depois da morte física aqui, e restaurar-lhe a personalidade, no mundo novo que se lhe abrirá no futuro.
Nesse mundo novo, todas as nossas ações, intenções, imaginações, todos os nossos pensamentos, enfim, nesta vida, embora secretos, serão expostos como um livro aberto, e julgados segundo os padrões da absoluta Verdade, e não segundo falsos  padrões de costumes, de preconceitos ou de parcialidades. Nesse severo julgamento, quaisquer vantagens fortuitas desta vida, sejam quais forem, não terão força ou valia, não podendo ajudar de modo algum.
O firmamento, acima de nós, é sempre o mesmo, e ainda realiza o seu giro diuturno, suave e pontualmente. Assim, também, a Revelação de Allah apresenta a verdade que, como um circuito, mantém-se sempre fiel ao seu centro - que é sempre o mesmo, embora gravite em torno das cambiantes circunstâncias da nossa vida presente.
A terra pode parecer dura; mas dela as fontes podem jorrar, e os vegetais podem brotar, e tornarem-na verdejante e fofa. Assim acontece com a Verdade: talvez pareça dura para os mortais; mas, através do expediente fertilizador da Revelação, ela permite que a nossa personalidade venha a jorrar e a florescer.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Al A'la - O Altíssimo

Capítulos curtos do Alcorão - 87º Capítulo - Al A'la

Tradução e comentários do Prof. Samir El Hayek:

Neste capítulo de 11 versículos o muçulmano glorifica a Deus em todo seu esplendor, lembrando Suas benevolências e o caminho correto a seguirmos. Deixa bem claro que o caminho correto está esclarecido tanto no Alcorão como nos ensinamentos do profeta Maomé. Portanto, não é difícil segui-lo. Tudo depende de nosso livre-arbítrio.


1- Glorifica o nome do teu Senhor, o Altíssimo,
2- Que criou e aperfeiçoou tudo;
3- Que tudo predestinou e encaminhou;
4- E que faz brotar o pasto,
5- Que se converte em feno.
6- Ensinar-te-emos a recitar (a Mensagem), para que não esqueças,
7- Senão o que Deus permitir, porque Ele bem conhece o que está manifesto e o que é secreto.
8- E te encaminharemos pela (senda) mais simples.
9- Admoesta, em caso da admoestação ser proveitosa (para eles)!
10- Ela guiará aquele que é temente.
11- Porém, o desventurado a evitará;

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
A palavra "Senhor", por si só, é inadequada para representar Rabb, aqui empregada. Porque ela implica em adoração, resguardo do mal, custódio, e garantia de todos os meios e de todas as oportunidades de desenvolvimento.
O caminho a trilhar, no Islamismo, é simples e fácil. ele não depende de mistérios obscuros ou de auto-flagelo, mas de uma conduta virtuosa, humanitária e concorde com as leis da natureza humana, implantadas na humanidade por Deus. Pelo contrário, a perfeição espiritual é mais difícil de ser conseguida, porto que ela implica em uma completa rendição, da nossa parte, em todos os nossos relacionamentos, pensamentos e completa rendição, da nossa parte, em todos os nossos relacionamentos, pensamentos e desejos; contudo, depois desta rendição, a Graça Divina tornará fácil o nosso caminho.
Os casos em que a admoestação de fato surte proveito espiritual e aqueles em que ela não surte, são mencionados mais adiante, nos versículos de 10 a 13, respectivamente. A Mensagem de Deus deverá ser proclamada a todos. Todavia, admoestações especiais e pessoais são também dirigidas àqueles que se devotam à Mensagem, e em cujos corações há o temor a Deus; no caso daqueles que fogem dela e a desvirtuam, tal admoestação especial e pessoal mostra-se inútil. São aqueles desafortunados, que preparam a sua própria ruína.

Recitação do Capítulo Al A'la - O Altíssimo em árabe

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Al Gháxia - O Evento Assolador

Capítulos Curtos do Alcorão - Al Gháxia - O Evento Assolador

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Introdução - Prof. David: Este capítulo do Alcorão tem 26 versículos no qual explica, de maneira alegórica, os acontecimentos referentes ao Apocalipse. Salienta a humilhação que os condenados sofrerão, mas deixa a todos os fiéis a certeza de que poderão escapar de semelhante provação. Ao final do capítulo, posto também um vídeo mostrando a recitação em árabe do capítulo.
1- Porventura, chegou-te a notícia do Evento Assolador?
2- Haverá rostos humildes, nesse dia,
3- Fatigados, abatidos,
4- Chamuscados, pelo Fogo abrasador!
5- Ser-lhes-á dado a beber de um manancial fervente;
6- Não terão, por alimento, nem lhes saciarão a fome!
7- Que não os alimentarão, nem lhes saciarão a fome!
8- (Outros) rostos, nesse dia, estarão calmos,
9- Contentes, por seus (passados) esforços;
10- Estarão em um jardim suspenso,
11- Onde não ouvirão futilidade alguma;
12- Nele haverá um manancial fluente,
13- Nele haverá leitos elevados,
14- E taças, ao alcance da mão,
15- E almofadas enfileiradas,
16- E tapetes de seda estendidos.
17- Porventura, não reparam nos camelídeos, como são criados?
18- E no céu, como foi elevado?
19- E nas montanhas, como foram fixadas?
20- E na terra, como foi dilatada?
21- Admoesta, pois, porque és tão somente um admoestador!
22- Não és, de maneira alguma, guardião deles.
23- E, àquele que te for adverso e incrédulo,
24- Allah infligirá o maior castigo.
25- Em verdade, o seu retorno será para Nós;
26- E o seu cômputo Nos concerne.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
Gháxiya: aquela coisa ou evento que ofusca ou esmaga, e que abrange tudo, fazendo com que as pessoas percam a razão. O significado da raiz da palavra árabe dharí' novamente implica a ideia de humilhação. A segunda coisa que deverão considerar é a nobre abóbada azul, acima deles, o sol e a lua, as estrelas e os planetas, e outros corpos celestiais.



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Al Fajr - A Aurora

Capítulos Curtos do Alcorão - Al Fajr - A Alvorada

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek

Depois de alguns dias sem postagens, retomo com a tradução de mais um capítulo do Alcorão. Trata-se do capítulo chamado Al Fajr, ou A Alvorada. Nos seus 30 versículos Allah deixa claro que está atento a tudo o que acontece, tanto de dia como de noite. Além disso, tal qual os dias se sucedem, também se sucede as graças de Deus para conosco. Ao final coloco a recitação deste versículo em árabe.
Capítulo Al Fajr em árabe
1- Pela aurora,
2- E pelas dez noites,
3- E pelo par e pelo ímpar,
4- E pela noite, quando se retira (que sereis castigados)!
5- Porventura, não há nisso um juramento adequado, para o sensato?
6- Não reparaste em como o teu Senhor procedeu, em relação à (tribo de) Ad,
7- Aos (habitantes de) Iram, (cidade) de pilares elevados,
8- Cujo similar não foi criado em toda a terra?
9- E no povo de Samud, que perfurou rochas no vale?
10- E no Faraó, o senhor das estacas,
11- Os quais transgrediram, na terra,
12- E multiplicaram, nela, a corrupção,
13- Pelo quê o teu Senhor lhes infligiu variados castigos?
14- Certamente que o teu Senhor está sempre alerta.
15- Quanto ao homem, quando seu Senhor o experimenta, honrado-o e agraciando-o, diz (empertigado): Meu Senhor me honrou!
16- Porém, quando o prova, restringindo a Sua graça, diz: meu Senhor me humilhou!
17- Não! Vós não honrais o órfão,
18- Nem vos estimulais a alimentar o necessitado;
19- E consumis avidamente as heranças,
20- E cobiçais insaciavelmente os bens terrenos!
21- Em verdade, quando a terra for triturada fortemente,
22- E aparecer o teu Senhor, com os Seus anjos em desfile,
23- E o Inferno, nesse dia, for destacado, então o homem recordará; porém de que lhe servirá a recordação?
24- Dirá: Oxalá tivesse diligenciado (na prática do bem), durante a minha vida!
25- Porém, nesse dia, ninguém castigará como Ele (o fará),
26- Nem ninguém acorrentará, como Ele (o fará),
27- E tu, ó alma em paz,
28- Retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)!
29- Entra no número dos Meus servos!
30- E entra no Meu Paraíso!

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
As "dez noites" do segundo versículo referem-se, costumeiramente, às primeiras dez noites da época da Peregrinação. Desde os tempos mais remotos, Meca sempre foi o centro da peregrinação árabe. A História de Abraão está intimamente ligada a ela. Nos tempos da idolatria, foram introduzidas várias superstições, que o Islamismo dissipou. Este purificou, ainda, os rituais e as cerimônias, imprimindo-lhes um novo significado. Os dez dias, especialmente devotados à peregrinação, introduzem um formidável contraste na vida tanto de Meca como na dos peregrinos.
Meca, sendo uma cidade um tanto pacata, torna-se, então, fervilhante, com milhares de peregrinos de todas as partes do mundo. Estes despem-se das suas vestes usuais, de todas as espécies de vestes, e colocam uma veste simples e comum (chamada Ihram); eles suspendem toda a sorte de lutas e altercações; abstêm-se de toda a espécie de luxúria e epicurismo; tomam toda a vida por sagrada, não importando quão humilde ela seja, exceto na maneira de conduzirem o simbólico e cuidadosamente regulamentado sacrifício; e passam as suas noites em oração e meditação.
O par e o ímpar seguem-se mutuamente, em sucessões regulares; cada um é independente, e nenhum é auto-suficiente. Em última análise, todos os números pares fazem parelha com os ímpares. E todas as coisas existem aos pares. No mundo animal, os casais consistem de dois indivíduos, sendo que um constitui o complemento do outro. Tanto as coisas abstratas como as concretas são, frequentemente, compreendidas, em contraste com os seus opostos.
Iram parece ter sido a antiga capital de Ad, na Arábia Meridional. Ela se ufanava da sua elevada arquitetura (elevados pilares). Alguns exegetas entendem que Iram é o nome de um herói eponímico de Ad, em cujo caso a linha seguinte, "de pilares elevados", deveria ser traduzida por "de estatura elevada". O povo de Ad era um povo de pessoas altas.
Há certo trato de território na Arábia Meridional que foi, outrora, muito próspero (Arabia Felix), em cujas ruínas encontraram-se inúmeras inscrições. Ele tem sempre sido objeto de grande interesse por parte dos árabes.
A civilização do povo de Samud mostra traços de influência egípcia, síria e (mais tarde) greco-romana. Ela erigiu magníficos templos, catacumbas e edificações feitas na rocha. O culto ao ídolo Lat floresceu ali.
A herança de uma pessoa ou família (citada no versículo 19) pode ser malbaratada de duas maneiras: 1- Os guardiões e os fiduciários das heranças dos menores e das mulheres, ou das pessoas impossibilitadas de cuidar dos seus próprios interesses, deverão preencher a confiança neles depositada, com desvelo ainda maior do que aquele que devotariam aos seus próprios interesses; 2- As pessoas, que herdam bens, em seus próprios diretos, devem lembrar-se de que, nesse caso, também essa é uma responsabilidade sagrada.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Al Balad - A Metrópole

Capítulos curtos do Alcorão - Al Bálad - A Metrópole

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Neste curto capítulo o Alcorão faz referência à metrópole de Meca, que se tornou a cidade mais sagrada do Islamismo e retoma a lembrança de todas as benesses que já fez pelos homens e reforça a necessidade de sermos gratos por isso. No final posto também a recitação do capítulo em árabe.

1- Juro por esta metrópole (Meca)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ax Xams - O Sol

Capítulos curtos do Alcorão - 91º Capítulo - Ax Xams - O Sol

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Este capítulo do Alcorão tem como título o sol, astro mais importante para a vida humana. Mas também cita a lua, o dia e a noite, bem como o céu (firmamento). Tudo isso é para fazer alusão ao fato de que Deus criou tudo o que nos é tão útil e, em contrapartida, os humanos muitas vezes são ingratos. No final posto também um vídeo com a recitação em árabe do capítulo.
1- Pelo sol e pelo seu esplendor (matinal),
2- Pela lua, que o segue,
3- Pelo dia, que o revela,
4- Pela noite, que o encobre.
5- Pelo firmamento e por Quem o construiu,
6- Pela terra e por Quem a dilatou,
7- Pela alma e por Quem a aperfeiçoou,
8- E lhe inspirou o que é certo e o que é errado;
9- Que será venturoso quem a (a alma) purificar,
10- E desventurado quem a corromper.
11- A tribo de Samud, por suas transgressões, desmentiu o seu mensageiro.
12- E o mais perverso deles se incumbiu (de matar a camela).
13- Apesar de o mensageiro de Deus lhes dizer: É a camela de Deus! Não a priveis da sua bebida!
14- Porém, desmentiram-no e a esquartejaram, pelo que o seu Senhor os exterminou, pelos seus pecados, a todos por igual.
15- E Ele não teme as consequências.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
Seis tipos de fenômenos da portentosa obra de Deus na natureza são tomados, em três pares, como símbolos ou evidências da providência de Deus, bem como os contrastes da Sua sublime criação que, contudo, conduzem à harmonia cósmica (versículo 1). Então (versículos 7-8) a alma do homem, com regularidade e proporção internas, em sua capacidades e faculdades proporcionadas por Deus, é posta em pauta, como tendo sido dotada do poder de discriminação entre o bem e o mal.

O primeiro par expresso no capítulo consiste do glorioso sol, a fonte da nossa luz e da nossa vida material, e da lua que o segue, subordinada a ele, na tarefa de iluminar o nosso mundo.

O par seguinte consiste, não de luminárias, mas de condições, de períodos de tempo, ou seja, o dia e a noite. Aquele revela a glória do sol e esta o esconde da nossa visão.

O par seguinte consiste do deslumbrante e altíssimo firmamento, e da terra debaixo dos nossos pés, dilatando-se e ampliando os nossos horizontes. O céu nos dá a chuva e a terra nos dá o alimento.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Al Láil - A Noite

Capítulos curtos do Alcorão - 92º Capítulo - Al Láil - A Noite

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Mais uma vez o Alcorão nos faz relacionar os fenômenos da Natureza, que foi tão inteligentemente criada por Deus, com as nossas ações. Desse modo, somos levados a considerar o quanto Deus foi benevolente para conosco e, por outro lado, muitas vezes nos esquecemos de retribuir em adoração tudo de bom que Ele nos deu. Vale a reflexão a respeito deste ponto de egoísmo de nossa parte. No final apresento a recitação em árabe deste capítulo do Alcorão.
1- Pela noite, quando cobre (a luz),
2- Pelo dia, quando resplandece,
3- Por Quem criou o masculino e o feminino,
4- Que os vossos esforços são diferentes (quanto às metas a serem atingidas).
5- Porém, àquele que dá (em caridade) e é temente a Deus,
6- E crê no melhor,
7- Facilitaremos o caminho do conforto.
8- Porém, àquele que mesquinhar e se considerar suficiente,
9- E negar o prestar contas,
10-Facilitaremos o caminho da adversidade.
11- E de nada lhe valerão os seus bens, quando ele cair no abismo.
12- Sabei que a Nós incumbe a orientação,
13- Assim como também são Nossos o fim e o começo.
14- Por isso, tenho-vos admoestado com o Fogo voraz,
15- Em que não entrará senão o mais desventurado,
16- que desmentir (a verdade) e a desdenhar.
17- Contudo, livrar-se-á dele o mais temente a Deus,
18- Que aplica os seus bens, com o fito de purificá-los,
19- E não faz favores a ninguém com o fito de ser recompensado,
20- Senão com o intuito de ver o Rosto do seu Senhor, o Altíssimo;
21- E logo alcançará (completa) satisfação.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
A evidência de três coisas é invocada, a saber: a noite, o dia e o mistério do sexo, sendo que a conclusão é manifestada no versículo 4, onde se lê que as metas dos homens diferem umas das outras. Similarmente, no entanto, há contrastes, na própria natureza. Que contraste poderia ser maior do que aquele existente entre a noite e o dia? Quando a noite estende o seu manto, a luz do sol fica escondida, mas não perdida. O sol ali está, em seu lugar e reaparecerá, no seu devido tempo. O homem que almeja diversas metas talvez as encontre, devido à sua posição. A luz de Deus é, para ele, obscurecida, mas ele deve esforçar-se tenazmente no sentido de se colocar numa posição que a alcance em toda a sua plenitude.

O mistério do sexo ocorre em todas as formas da vida. Há uma atração irresistível entre os opostos; cada um realiza as suas próprias funções, possuindo características especiais, primárias e secundárias, dentro de esferas limitadas, e ainda assim ambos têm características comuns em muitas outras esferas. Cada um é indispensável ao outro. O amor, no seu sentido mais nobre, é o paradigma de devoção celestial e o mais alto grau de benevolência; no seu sentido degradante, ele conduz aos pecados mais chãos e aos piores crimes. Aqui, então, é necessário um esforço, no sentido de se alcançar o mais alto grau de benevolência.

Deus, em Sua infinita misericórdia, proveu substancial orientação para as Suas criaturas. Para toda a Sua criação há marcos indicativos do caminho certo. Para o homem Ele concedeu os cinco sentidos da percepção, juntamente com as faculdades mentais e espirituais, a fim de que estas se coordenem com as suas percepções físicas e o conduzam cada vez mais para o alto, em pensamento e em sentimento. Ademais, Ele enviou homens inspirados para a orientação e para os ensinamentos mais vantajosos.

A palavra-raiz árabe zacca, tanto implica em aumento como em purificação, sendo que ambos os significados devem, aqui, estar contidos e ser entendidos. A riqueza (compreendida tanto literal, como metaforicamente) existe, não para satisfação egoísticas, nem para demonstrações de ócio. Ela é mantida em custódio. Poderá, intrinsecamente, constituir-se em uma prova, em cujo desempenho o homem que for bem sucedido será um homem de vida pura; e mesmo que ele tenha sido benevolente antes, o uso adequado da sua riqueza lhe aumentará a posição e a dignidade, no mundo moral e espiritual.



sábado, 17 de agosto de 2013

Adh Dhuha - As Horas da Manhã

Capítulos curtos do Alcorão - Adh Dhuha - As Horas da Manhã

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek (vídeo com a recitação do capítulo):

Mais uma vez o Alcorão salienta a ajuda que concedeu ao profeta do Islamismo, Mohammad, que adveio de uma situação pobre e humilde e, não obstante, assumiu uma posição de destaque ao ser escolhido por Deus para ser o profeta da religião islâmica.  Portanto, destaca que devemos ser agradecidos com as bênçãos que recebemos ao longo de nossa vida, pois temos que nos lembrar das coisas boas que recebemos.
1- Pelas horas da manhã,
2- E pela noite, quando é serena,
3- Que o teu Senhor não te abandonou, nem te odiou.
4- E sem dúvida que a Outra Vida é melhor para ti, do que a presente.
5- Logo o teu Senhor te agraciará, de um modo que te satisfaça.
6- Porventura, não te encontrou órfão e te amparou?
7- Não te encontrou extraviado e te encaminhou?
8- Não te achou necessitado e te enriqueceu?
9- Portanto, não maltrates o órfão,
10- Nem tampouco repudies o mendigo,
11- Mas divulga a mercê do teu Senhor, em teu discurso.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
As horas da manhã representa a luz plena do sol quando, em seu esplendor, brilha, em contraste com as sombras da noite, que já passou. As crescentes horas da luz da manhã, do nascer do sol até ao meio-dia, equiparam-se ao crescimento da vida espiritual e do trabalho, ao passo que a quietude da noite constitui, para aqueles que a entendem, apenas uma preparação para isso. Não devemos imaginar que a serenidade ou a quietude da noite constitua um desperdício, ou signifique estagnação em nossa vida espiritual.

Há o caso do órfão, literal e figurativamente. O próprio profeta foi um órfão. Seu pai, Abdullah, morreu jovem, antes de Mohammad ter nascido, não deixando haveres alguns. Sua mãe, Amina, possuía saúde deficiente, e ele foi precipuamente criado por sua aia, Halima. Sua própria mãe morreu quando Mohammad tinha apenas seis anos de idade. Seu idoso avô, Abdul Muttalib, tratou dele como se fosse seu próprio filho, mas morreu dois anos mais tarde. Dali por diante, seu tio, Abu Talib, tratou dele, como se fora seu próprio filho. Deste modo, ele foi órfão por várias vezes, e mesmo assim o amor que recebeu, de cada uma das pessoas que tomaram conta dele, superou o costumeiro amor paterno ou materno.

O profeta nasceu em meio à idolatria e ao politeísmo de Meca, no seio de uma família que custodiava este falso culto. Ele percorreu as paragens em busca da Unicidade, e a encontrou, através da orientação de Deus. Nós, contudo, talvez nos encontremos vagando em dédalos de erros, em pensamentos, em motivações; devemos sempre orar pela graça de Deus, para que Ele nos dispense orientação.

Vídeo com a recitação do capítulo 93 do Alcorão


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Islamismo e o Terrorismo: quebrando os preconceitos da mídia

Saber diferenciar o Terrorismo do Islamismo nos dias de hoje

O que há de mentiras no que é ventilado pela mídia sobre os muçulmanos:

O Islamismo e o Terrorismo:
Nos dias de hoje, na maioria das vezes que ouvimos falar do Islamismo ele está relacionado com terrorismo, homens bomba e fanáticos religiosos pregando a morte de infiéis. Além de ser pouco conhecido, alguns mal entendidos com relação ao Islamismo fazem com que esta religião seja mal compreendida e vítima de inúmeros preconceitos. Então, aconteceram os atentados de 11 de Setembro de 2001 contra os EUA: quatro aviões foram seqüestrados por terroristas islâmicos da Al Qaeda e foram utilizados como mísseis contra pontos estratégicos do país: dois aviões foram lançados contra as torres do World Trade Center (símbolo econômico americano), fazendo com que as duas torres desabassem, outro avião foi lançado contra o Pentágono (símbolo militar americano) e o quarto avião, que se dirigia à capital Washington, caiu na Pensilvânia após uma tentativa dos passageiros de recuperarem o avião. Cerca de três mil pessoas morreram e automaticamente o Islamismo foi associado à intolerância, fanatismo e terrorismo. A mídia mundial, em sua maioria, transmitia notícias que reforçavam os preconceitos e não contribuíam em distinguir o Islamismo do Terrorismo.
A religião islâmica é a que mais cresce no mundo: os muçulmanos já perfazem um total de 1,5 bilhões de pessoas. Não é certo dizermos que todos os muçulmanos são terroristas ou fanáticos, pois senão teríamos mais de um bilhão de pessoas prontas a se explodirem, matando milhares de inocentes. Os problemas relacionados com o terrorismo provêm de causas políticas, como a disputa por terras na Palestina e em outros cantos do mundo. O que aconteceu nos EUA foi um aproveitamento por parte dos líderes da Al Qaeda de um sentimento antiamericano entre a população dos países do Oriente Médio. O Alcorão, livro sagrado do Islamismo, proíbe terminantemente o assassinato de pessoas inocentes e defende que a vida é o bem mais precioso que Deus deu aos homens, proibindo também o suicídio:
“Ó crentes, não consumais reciprocamente os vossos bens, ilegalmente; que haja comércio de mútuo consentimento e não cometais suicídio, porque Deus é Misericordioso para convosco” (Alcorão, capítulo 4, versículo 29).
Existe uma expressão muito conhecida no Islamismo que é Jihad, que significa “Guerra Santa”. Ela é muito mal compreendida pelos não muçulmanos, que tendem a ver neste mandamento divino uma espécie de incentivo para se expandir a religião islâmica através da violência e do terror. No entanto, isto não é verdade: jihad não faz referência apenas à luta dos muçulmanos contra as pessoas de outras religiões. Jihad significa mais do que apenas guerra santa: significa esforço pessoal que todo muçulmano deve fazer para melhorar a sua vida perante Deus; por exemplo: Deus proíbe o consumo de bebida alcoólica:
“Interrogam-te a respeito da bebida inebriante e do jogo de azar; dize-lhes: Em ambos há benefícios e malefícios para o homem; porém, os seus malefícios são maiores do que os seus benefícios. Perguntam-te o que devem gastar (em caridade). Dize-lhes: Gastai o que sobrar das vossas necessidades. Assim Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que mediteis” (Alcorão, capítulo 2, versículo 219).
“Ó crentes, as bebidas inebriantes, os jogos de azar, (a cultuação aos) altares de pedra, e as adivinhações com setas são manobras abomináveis de Satanás. Evitai-as, pois, para que prospereis” (Alcorão, capítulo 5, versículo 90).
No entanto, caso um muçulmano tenha propensão ao consumo de bebidas alcoólicas, ou inebriantes, deverá empreender um esforço enorme para fazer cumprir as exigências de Deus no Alcorão, ou seja, terá que realizar a sua própria jihad para conseguir cumprir os mandamentos de Deus e melhorar a sua própria vida. Portanto, jihad significa esforço pessoal de um muçulmano para melhorar sua própria vida, e não apenas guerra santa contra os infiéis, como somos levados a crer pelas notícias que nos chegam pelas mídias.
A mídia costuma divulgar que todos os muçulmanos são terroristas. Na verdade, ela confunde problemas políticos locais com o que prega a religião islâmica

Mesmo a guerra santa contra inimigos da fé só é aceita em casos específicos e apenas contra os inimigos, jamais permitindo a morte indiscriminada de inocentes, dentre os quais inúmeras crianças e mulheres. Outra regra islâmica mal interpretada é a Lei do Talião, que prega a máxima “olho por olho, dente por dente”. Temos de ter em mente que esta lei surgiu em uma época remota, onde os meios de coerção de uma população eram precários. As penas capitais servem para manter o povo na linha, em uma espécie de exemplo para que atos ruins não sejam repetidos. Vejamos o que o Alcorão fala sobre ela:
“Quanto ao ladrão e à ladra, decepai-lhes a mão, como castigo de tudo quanto tenham cometido; é um castigo exemplar de Deus, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo. Aquele que, depois da sua iniqüidade, se arrepender e se emendar, saibam que Deus os absolverá, porque é Indulgente, Misericordioso” (Alcorão, capítulo 5, versículos de 38 a 39).
“Ó crentes, está-vos preceituado o talião para o homicídio: livre por livre, escravo por escravo, mulher por mulher. Mas se o irmão do morto perdoar o assassino devereis indenizá-lo espontânea e voluntariamente. Isso é uma mitigação e misericórdia de vosso Senhor. Mas quem vingar-se, depois disso, sofrerá um doloroso castigo. Tendes, no talião, a segurança da vida, ó sensatos, para vos refreeis” (Alcorão, capítulo 2, versículos de 178 a 179).
Mesmo estabelecendo a Lei do Talião, o Alcorão impõe também penas alternativas, o perdão e estabelece um limite para a vingança. Atualmente, na maioria dos países, não é permitido aos cidadãos realizarem justiça com as próprias mãos, pois isto cabe ao Estado e ao seu sistema judiciário. Devemos lembrar também que na Bíblia dos judeus e dos cristãos existem inúmeras passagens semelhantes, que pregam a vingança e a lei do “olho por olho, dente por dente”. Nos dias de hoje, apenas em sociedades muito tradicionais e afastadas dos grandes centros casos é observada a Lei do Talião. Novamente, não podemos confundir costumes tradicionais de uma região com o que prega a imensa maioria dos muçulmanos. O fato de o Alcorão ser levado a sério nos dias de hoje pelos muçulmanos pode gerar grandes mal entendidos, mas o Islamismo é uma religião que se propõe a apaziguar as relações humanas e não o contrário. O que não podemos fazer jamais é confundir as ações de algumas pessoas que são muçulmanas com os demais, ou seja, a partir da ação de alguns imaginarmos que todos os demais também são terroristas.
Com relação aos atentados de 11 de Setembro de 2001, o principal organizador por trás dos atentados foi o milionário saudita Osama Bin Laden, que fundou uma organização terrorista chamada Al Qaeda. O principal objetivo desta organização era atacar alvos ocidentais, judaicos e cristãos, por todo mundo, sobretudo Israel e os EUA. A Arábia Saudita é considerada a Terra Santa do Islamismo, pois lá estão localizadas as duas cidades mais sagradas da religião islâmica: Meca e Medina. Os terroristas islâmicos consideraram blasfêmia o fato de tropas americanas e inglesas se estabelecerem no solo sagrado da Arábia e elegeram estes dois países como principais inimigos da Al Qaeda. Além disso, historicamente os EUA tendem a apoiar politicamente o Estado de Israel, fundado em 1948 na região da Palestina: quando a ONU decidiu que Israel seria estabelecido na Palestina, terra onde os palestinos já estavam estabelecidos, o que causou uma onda de violência que persiste na região até os dias de hoje; e como os EUA, desde 1948, apóiam o estado judaico, os terroristas islâmicos escolheram os americanos e seus cidadãos como o principal inimigo a ser atacado.
O que os terroristas fazem, na verdade, é utilizar algumas regras do Alcorão para atender os seus interesses, mas fazem isso parcialmente, ou seja, utilizam apenas os versículos que os interessam, sem considerarem o contexto geral em que estão inseridos. Então, exploram as situações calamitantes da maioria dos países islâmicos, como a pobreza e a opressão dos regimes totalitários, para recrutar pessoas para serem terroristas. Os líderes terroristas são extremamente covardes ao aproveitar a pobreza e a ignorância das pessoas para torná-los terroristas. Allah, em nenhum momento, aprova a morte indiscriminada de inocentes, sobretudo crianças e mulheres, como se tais mortes pudessem compensar a morte de muçulmanos, em quaisquer condições. Alguns poderão justificar tais ataques como Lei do Talião, mas isso também não é correto: esta lei prescreve a vingança contra os próprios criminosos e não contra outras pessoas inocentes. Assim sendo, não há nenhuma relação direta entre os muçulmanos e os terroristas islâmicos: milhões de muçulmanos não podem ser considerados todos terroristas pelas ações criminosas de alguns muçulmanos que resolveram interpretar o Alcorão de forma a justificar seus problemas através de ações assassinas.
 Conclusão:
De todas as religiões monoteístas, que adoram o mesmo Deus, o Islamismo foi a última a surgir, depois do Judaísmo e do Cristianismo. Surgida no ano de 610 d.C., na cidade de Meca, teve como seu profeta Maomé, um órfão comerciante muito respeitado por toda a sua comunidade. No entanto, após as primeiras revelações e os ataques duros que o Islamismo fez contra o politeísmo reinante, a comunidade muçulmana foi perseguida e teve que se refugiar na cidade de Medina. Dez anos depois, Meca foi reconquistada e o Islamismo se expandiu rapidamente por toda Arábia, chegando ao Oriente Médio, Norte da África e a Península Ibérica (Espanha e Portugal). O Islamismo foi a religião que mais rapidamente se expandiu: em menos de cem anos após a morte de Maomé, a religião islâmica já estava expandida para regiões longínquas, muito além do seu espaço original da Arábia.
Em geral, os muçulmanos respeitavam as religiões das regiões que conquistavam pelas armas: uma vez que o Islamismo tem a mesma tradição do Judaísmo e do Cristianismo, reconhecendo os mesmos profetas e com um livro sagrado (Alcorão) com histórias comuns à Torá e ao Evangelho. Pagando uma taxa, tanto judeus como cristãos podiam praticar sua religião com total liberdade. Além da liberdade religiosa, a construção do Império Islâmico possibilitou o florescimento cultural que garantiu inúmeras obras culturais que se tornaram legados da humanidade: em uma época em que a Europa estava afundada na Idade Média, após a queda do Império Romano, os muçulmanos, em convivência com judeus e cristãos, mantinham os ensinamentos dos antigos gregos e romanos vivos, produzindo novos conhecimentos e uma cultura rica. Posteriormente, quando os europeus deram início ao Renascimento e procuraram recuperar o conhecimento da Antiguidade, foi nas cidades islâmicas que eles buscaram as obras que durante a Idade Média haviam deixado de lado.
Se o Deus é o mesmo, porque temos que nos matar? Não devemos confundir os problemas mundanos com as crenças religiosas de cada um

Atualmente, a convivência entre os muçulmanos e os cristãos vive momento delicado: o choque de culturas diversas vezes provoca preconceito, falta de conhecimento e mal entendidos. Os muçulmanos, com uma religião rigorosa, que interfere em cada aspecto de sua vida, por vezes se sentem desconfortáveis em um mundo que parece ter cada vez menos espaço para Deus. E as culturas com características diferentes têm enormes dificuldades em conviver em situação de respeito. Para as novas gerações a tarefa é árdua: conhecer para respeitar; respeitar para conviver. Somente através do conhecimento podemos abandonar os preconceitos, respeitar as diferenças e conseguirmos construir um mundo mais tolerante e capaz de aproveitar o melhor de cada ser humano para que o mundo seja um pouco melhor, menos violento e que as pessoas sejam julgadas pela sua capacidade e não pela sua crença ou cor da sua pele. Aceite este desafio e melhore o mundo em que você vive.

domingo, 11 de agosto de 2013

Ax Xarh - A Expansão

Capítulos curtos do Alcorão - 94º Capítulo - Ax Xarh

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Neste capítulo destaca-se o fato de Deus ter expandido os horizontes de Mohammad, a ponto de torná-lo profeta do Islamismo, sendo que nasceu pobre e órfão. Em uma generalização para os demais seres humanos, Deus afirma que na adversidade está a facilidade, ou seja, através das provações de nossas vidas ficamos cada vez mais fortes e sempre nos advém boas coisas quando somos pacientes e temos fé em Deus e em sua ajuda. Ao final das explicações vou postar a recitação em árabe deste capítulo.
1- Acaso, não expandimos o teu peito,
2- E aliviamos o teu fardo,
3- Que vergava as tuas costas,
4- E enaltecemos a tua reputação?
5- Em verdade, com a adversidade está a facilidade!
6- Certamente, com a adversidade está a facilidade!
7- Assim, pois, quando estiveres livre (dos teus afazeres), continua o teu esforço,
8- E volta para o teu Senhor (toda) a atenção.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
O peito é simbolicamente tomado como a sede do conhecimento e dos sentimentos altruísticos, do amor e da afeição, bem como o repositório em que estão armazenadas as jóias concernentes à qualidade do caráter humano, o qual se aproxima da divindade. A natureza humana do profeta foi purificada, desdobrada e elevada, tanto que ele se tornou uma Misericórdia para toda a Criação. Com tal natureza, ele possuía recursos para poder passar por cima das intenções rasteiras da humanidade comum, que fazia com que fossem feitos contra ele ataques vergonhosos. Seu vigor e coragem podiam, ainda, fazer com que ele suportasse o fardo de um trabalho estafante que tinha de ser feito, no sentido de apontar o pecado, dominá-lo, e proteger da opressão as criaturas de Deus.

O quinto versículo é repetido para imprimir uma ênfase extra. Sejam quais forem as adversidades ou vicissitudes com que se deparem os homens, Deus sempre providencia uma solução, uma saída, um alívio, um meio que nos leve ao conforto e à felicidade, desde que sigamos o Seu Caminho, mostremos fé e paciência e pratiquemos o bem. Contudo, a solução, ou o alívio, não acontece meramente depois das adversidades; vem com elas. Nós compreendemos o sentido genérico do artigo definido 'usr e o traduzimos por "adversidade".


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

At Tin - O Figo

Capítulos curtos do Alcorão - 95º Capítulo - At Tin - O Figo

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Mais uma vez o Alcorão retoma a retórica de que tudo o que somos e temos advém das bênçãos de Allah, mas que constantemente estamos recusando a adorarmos e agradecermos a Ele. Então no Alcorão cita-se o figo, a oliva e o monte Sinai, deixando claro as origens do Islamismo e o fato de que o Deus é o mesmo do judaísmo e do cristianismo, de forma que temos um laço com todas as religiões monoteístas, e não somos uma religião diferente.


1- Pelo figo e pela oliva,
2- Pelo monte Sinai,
3- E por esta metrópole segura (Meca),
4- Que criamos o homem na mais perfeita proporção.
5- Então, o reduzimos à mais baixa das escalas,
6- Salvo os crentes, que praticam o bem; estes terão uma recompensa infalível.
7- Quem, então, depois disto, te contradirá, quanto ao Dia do Juízo?
8- Acaso, não é Deus o mais prudente dos juízes?

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
A cláusula substantiva encontra-se nos versículos 4 até 8, e está atrelada ao apelo a quatro símbolos sagrados, a saber: o figo, a oliva, o monte Sinai e a cidade sagrada de Meca. Sobre a interpretação precisa dos dois primeiros símbolos, em especial o símbolo do figo, há muita controvérsia. Se tomarmos o figo literalmente, como fruto ou árvore, isso poderá servir de simbolismo ao destino do homem, de várias maneiras. Após o cultivo, ele poderá tornar-se a mais deliciosa e completa fruta que existe; em seu estado primitivo, nada mais é do que uma diminuta semente insípida, não raro cheia de bichos e de larvas. O homem, também, quanto às suas boas qualidades, possui um destino nobre; quanto às suas más qualidades, pertence à mais baixa das escalas.

Após termos discutido, em detalhes, os quatro símbolos, passemos a considerá-los em conjunto. Está claro que eles se referem à Luz de Deus ou Revelação, a qual mostra ao homem o mais altruístico destino, caso ele se disponha a seguir o Caminho. A cidade de Meca está, para o Islamismo, como o monte Sinai, para Israel, como o Jardim das Oliveiras, para a original e pura Mensagem de Jesus Cristo. Seguindo este princípio, todas as grandes religiões do mundo poderiam ser indicadas. Entretanto, mesmo que nos referíssemos ao figo e à oliva no tocante ao simbolismo contido em suas naturezas como frutos, e não a qualquer religião em especial, o contraste entre o Melhor e o Pior destino do homem persistiria, e ele continuaria a constituir no escopo principal.

Taqwim (proporção): molde, simetria, forma, natureza, constituição. Não há imperfeição na criação de Deus.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Festa do Final de Ramadã - Eid Al Fitr

Um dia especial para o fim de Ramadã

Na mesquita, orações, cumprimentos e um belo café da manhã:

Hoje foi um dia muito especial: a festa do final do mês sagrado de Ramadã, chamada de Eid Al Fitr, marcou o encerramento de um mês de jejum, orações e boas ações de todos os muçulmanos ao redor do mundo. Como não poderia deixar de ser, fiz todo o possível para comparecer na mesquita de Santo Amaro, pela qual tenho um carinho especial, pois foi a primeira mesquita que visitei na vida.
A caminho do café da manhã: após o final do Ramadã, juntamente com os irmãos muçulmanos, encaminho-me para o café da manhã comunitário

Ao chegarmos na mesquita, rezamos o tacbir, oração especial para o dia; depois rezamos a oração em comunidade, cerca de duzentas pessoas juntas, sendo que as mulheres rezaram em um lugar reservado.
A emoção era muito grande entre todos os presentes, pois haviam se esforçado muito para chegar àquele dia. Entre os presentes havia até um senhor de 106 anos, esbanjando saúde e bom humor. Cumprimentamos uns aos outros e encontrei o Prof. Samir El Hayek, o grande colaborador deste blog.
Depois foi a hora do café da manhã coletivo, com a fartura que todos os jejuadores mereciam depois dos esforços de Ramadã.
Foi um dia espetacular para todos nós. A grande festa da fé e como ela nos faz suportar todos os desafios para adorarmos a Deus. A fé, realmente, move montanhas.
Muitos irmãos muçulmanos participaram do café da manhã do final do Ramadã: um momento especial com muitas delícias

A todos os leitores deste blog, muito obrigado pela paciência com os meus textos e minhas divulgações. Espero que tenham ajudado a esclarecer um pouco mais sobre o Islamismo. Se isso ocorreu em algum momento, considero cumprida parte da minha missão e minha ação de Ramadã. 

Que Allah me dê forças para continuar a alimentar este blog com informações úteis e corretas.