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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O que significa dizer "Filho de Deus" sobre Jesus?

Filho de Deus, filho de David, ou filho do Homem?  Jesus é identificado como “filho de Davi" quatorze vezes no Novo Testamento, começando com o primeiro verso (Mateus 1:1). O Evangelho de Lucas documenta quarenta e uma gerações entre Jesus e Davi, enquanto Mateus lista vinte e seis.  Jesus, um descendente distante, pode usar o título “filho de Davi” apenas metaforicamente.  Mas como então devemos entender o título, “filho de Deus?”
O “Trilema,” uma proposta comum dos missionários cristãos, afirma que “Jesus ou era um lunático, ou um mentiroso, ou o Filho de Deus, como ele clamava ser.”  Em nome do argumento, vamos concordar que Jesus não era nem um fanático e nem um mentiroso.  Vamos também concordar que ele era precisamente o que clamava ser.  Mas o que, exatamente, era isso?  Jesus chamou a si mesmo de “Filho do Homem” com freqüência, consistentemente, talvez até enfaticamente, mas onde ele se chamou de “Filho de Deus”?
Vamos recapitular.  O que significa “Filho de Deus” em primeiro lugar?   Nenhuma denominação cristã legítima sugere que Deus se casou e teve um filho, e com certeza nenhuma concebe que Deus teve um filho com uma mãe humana fora do casamento.   Além disso, sugerir que Deus fisicamente se relacionou com um elemento de Sua criação está além dos limites da tolerância religiosa já que seria o cúmulo da blasfêmia, na mesma linha da mitologia grega.
Sem explicação racional disponível dentro dos dogmas da doutrina cristã, a única alternativa para a conclusão dessa alegação é um mais um mistério doutrinário.  Aqui é onde os muçulmanos relembram a questão apresentada no Alcorão:
“...Como pode Ele ter tido um filho quando Ele não teve companheira?...” (Alcorão 6:101)



...enquanto outros gritam, “Mas Deus pode fazer qualquer coisa!”  A posição islâmica, entretanto, é que Deus não faz coisas inapropriadas, apenas coisas divinas.  No ponto-de-vista islâmico, o caráter de Deus é parte do Seu ser e é consistente com Sua majestade.
Então, novamente, o que significa “Filho de Deus”?  E se Jesus Cristo tem direitos exclusivos ao termo, por que a Bíblia registra, “...porque Eu (Deus) sou um pai para Israel, e Efraim (ou seja, Israel) é meu primogênito”  (Jeremias 31:9)e “...Israel é meu filho, meu primogênito”  (Êxodo 4:22)? Adotando o contexto de Romanos 8:14, que diz, “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus,” muitos eruditos concluem que “Filho de Deus” é metafórico e, como com christos, não implica exclusividade. Afinal, The Oxford Dictionary of the Jewish Religion (Dicionário Oxford da Religião Judaica) confirma que no idioma judaico “Filho de Deus” é claramente metafórico. Fazendo a citação, “Filho de Deus, termo ocasionalmente encontrado na literatura judaica, bíblica e pós-bíblica, mas em nenhum lugar implicitando descendência física de Deus.”[1] O Dicionário Bíblico de Hasting comenta:
No uso semítico “filiação” é uma concepção empregada de certa forma com liberdade, para denotar relacionamento moral ao invés de  físico ou metafísico.  Portanto, “filhos de Belial” (Juízes 19:22, etc.) são homens maus, não descendentes de Belial; e no NT as “crianças da câmara nupcial” são convidados do casamento.  Assim um “filho de Deus” é um homem, ou mesmo um povo, que reflete o caráter de Deus.  Existe pouca evidência de que o título foi usado nos círculos judaicos do Messias, e uma filiação que implicava mais do que um relacionamento moral seria contrária ao monoteísmo judaico.[2]
E em qualquer caso, a lista dos candidatos a “filho de Deus” começa com Adão, de acordo com Lucas 3:38:  “...Adão, que era filho de Deus.”
Aqueles que refutam citando Mateus 3:17 (“E eis uma voz dos céus, que dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’”) fazem vista grossa para o fato da Bíblia descrever muitas pessoas, Israel e Adão incluídos, como “filhos de Deus.”  Tanto em 2 Samuel 7:13-14 quanto em 1 Crônicas 22:10 se lê, “Este (Salomão) edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.  Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho.”
Nações inteiras são referidas como filhos, ou crianças de Deus.  Os exemplos incluem:
Gênesis 6:2, “Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens...”
Gênesis 6:4 “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens…”
Deuteronômio 14:1 “Filhos sois do Senhor, vosso Deus;”
Jó 1:6 “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR...”
Jó 2:1 “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR...”
Jó 38:7, “Quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?”
Filipenses 2:15 “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta...”
1 João 3:1-2, “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus;” e, de fato, somos filhos de Deus.”
Em Mateus 5:9 Jesus diz, “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”  Mais adiante em Mateus 5:45, Jesus prescreveu para seus seguidores a obtenção de atributos nobres, “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste...”  Não exclusivamente seu Pai, mas Paideles...
O clero cristão reconhece abertamente que Jesus nunca se chamou de “filho de Deus,” entretanto eles alegam que outros o fizeram.  Isso também tem uma resposta.
Ao investigar os manuscritos que compõem o Novo Testamento, descobre-se que a alegada “filiação” de Jesus é baseada na má tradução de duas palavras gregas – pais e huios, ambas traduzidas como “filho.”  Entretanto, essa tradução parece enganadora.  A palavra grega pais deriva do hebraico ebed, que carrega o significado primário de servo, ou escravo.  Portanto, a tradução primária de pais theou é “servo de Deus,” e “criança” ou “filho de Deus” é um embelezamento extravagante.  De acordo com Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), “O original hebraico depais na frase pais theou, ou seja, ebed, enfatiza a relação pessoal e tem o significado principal de ‘servo’”.[1]  Isso é ainda mais interessante porque se ajusta perfeitamente com a profecia de Isaías 42:1, mantida em Mateus 12:18: “Eis aqui o meu servo [ou seja, da palavra grega pais], que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz...” Qualquer que seja a versão da Bíblia, a palavra é “servo”.  Considerando que o propósito da revelação é tornar clara a verdade de Deus, pode-se pensar nessa passagem como uma verruga feia na face da doutrina da filiação divina.  Afinal, havia melhor lugar para Deus ter declarado Jesus como Seu filho?  Que melhor lugar para ter dito, “Eis aqui o Meu filho que gerei...”? Mas Ele não disse isso.  Nesse aspecto, a doutrina carece de suporte bíblico nas palavras registradas tanto de Jesus quanto de Deus, e existe boa razão para se perguntar por que.  A menos que Jesus não fosse nada mais do que o servo de Deus que a passagem descreve.
Com relação ao uso religioso da palavra ebed, “O termo serve como uma expressão de humildade usada pelos piedosos perante Deus.”[2]  Além disso, “Após 100 A.C. pais theou mais freqüentemente significa “servo de Deus,” como quando aplicado a Moisés, aos profetas, ou às três crianças (Baruque 1:20; 2:20; Dan. 9:35)”[3]  Uma pessoa pode facilmente cair em uma areia movediça doutrinária: “Dos oito exemplos dessa frase, uma se refere a Israel (Lucas 1:54), duas se referem a Davi (Lucas 1:69; Atos 4:25), e as outras cinco a Jesus (Mateus 12:18; Atos 3:13,26; 4:27,30)...Nos poucos exemplos nos quais Jesus é chamadopais theou nós obviamente temos uma tradição anterior.”[4]  Então Jesus não tinha direitos exclusivos a esse termo, e onde ele foi empregado o termo “obviamente” derivava de “tradição anterior.”  Além disso, a tradução, se imparcial, devia identificar todos os indivíduos a quem a frase foi aplicada de maneira semelhante.  Esse, entretanto, não foi o caso.  Embora pais tenha sido traduzido como “servo” em referência a Davi (Atos 4:25 e Lucas 1:69) e Israel (Lucas 1:54), é traduzido como “Filho” ou “criança sagrada” em referência a Jesus (Atos 3:13; 3:26; 4:27; 4:30). Esse tratamento preferencial é consistente canonicamente, mas falho logicamente.



Por fim um paralelo religioso interessante, se não fundamental, é revelado:“Portanto a frase grega pais tou theou, ‘servo de Deus,’ tem exatamente a mesma conotação que o nome islâmico Abdallah – o ‘servo de Allah.’”[5]
A simetria é ainda mais chocante porque o Alcorão Sagrado relata que Jesus se identificou como simplesmente isso – Abdallah (abd é servo ou escravo em árabe, Abd-Allah [também pronunciado “Abdullah”] significando servo ou escravo de Allah).  De acordo com a estória, quando Maria retornou para sua família com o recém-nascido Jesus, eles a acusaram de não ser casta.  Falando do berço em um milagre que credenciava suas alegações, o bebê Jesus defendeu a virtude de sua mãe com as palavras, “Inni Abdullah...” que significa, “Eu sou de fato um servo de Allah...” (Alcorão 19:30)
A tradução do Novo Testamento de huios para “filho” (no sentido literal da palavra) é igualmente equivocada.  Na página 1210 do Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento) de Kittel e Friedrich, o significado de huios vai do literal (Jesus filho de Maria), ao levemente metafórico (crentes como filhos do rei [Mateus 17:25-26]), ao polidamente metafórico (os eleitos de Deus serem filhos de Abraão [Lucas 19:9]), ao coloquialmente metafórico (crentes como filhos de Deus [Mateus 7:9 e Hebreus 12:5]), a espiritualmente metafórico (estudantes como filhos dos Fariseus [Mateus 12:27, Atos 23:6]), a biologicamente metafórico (como em João 19:26, onde Jesus descreve seu discípulo favorito para Maria como “filho dela”), assumidamente metafórico como “filhos do reino” (Mateus 8:12), “filhos da paz” (Lucas 10:6), “filhos da luz” (Lucas 16:8), e tudo de “filhos desse mundo” (Lucas 16:8) a “filhos do trovão” (Marcos 3:17).  É como se essa palavra mal compreendida para “filho” estivesse acenando como um grande aviso pintado em letras maiúsculas: METÁFORA!  Ou, como Stanton coloca eloqüentemente, “A maioria dos eruditos concorda que a palavra aramaica ou hebraica por trás de ‘filho’ é ‘servo.’  Então, quando o Espírito descende sobre Jesus em seu batismo, Jesus é tratado pela voz do céu nos termos de Isaías 42:1: ‘Eis aqui meu servo...meu escolhido...pus sobre ele o meu Espírito.’  Então, embora Marcos 1:11 e  9:7 afirmem que Jesus é chamado por Deus para uma tarefa messiânica especial, a ênfase é no papel de Jesus como um servo ungido, ao invés de Filho de Deus.”

domingo, 11 de agosto de 2013

Ax Xarh - A Expansão

Capítulos curtos do Alcorão - 94º Capítulo - Ax Xarh

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Neste capítulo destaca-se o fato de Deus ter expandido os horizontes de Mohammad, a ponto de torná-lo profeta do Islamismo, sendo que nasceu pobre e órfão. Em uma generalização para os demais seres humanos, Deus afirma que na adversidade está a facilidade, ou seja, através das provações de nossas vidas ficamos cada vez mais fortes e sempre nos advém boas coisas quando somos pacientes e temos fé em Deus e em sua ajuda. Ao final das explicações vou postar a recitação em árabe deste capítulo.
1- Acaso, não expandimos o teu peito,
2- E aliviamos o teu fardo,
3- Que vergava as tuas costas,
4- E enaltecemos a tua reputação?
5- Em verdade, com a adversidade está a facilidade!
6- Certamente, com a adversidade está a facilidade!
7- Assim, pois, quando estiveres livre (dos teus afazeres), continua o teu esforço,
8- E volta para o teu Senhor (toda) a atenção.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
O peito é simbolicamente tomado como a sede do conhecimento e dos sentimentos altruísticos, do amor e da afeição, bem como o repositório em que estão armazenadas as jóias concernentes à qualidade do caráter humano, o qual se aproxima da divindade. A natureza humana do profeta foi purificada, desdobrada e elevada, tanto que ele se tornou uma Misericórdia para toda a Criação. Com tal natureza, ele possuía recursos para poder passar por cima das intenções rasteiras da humanidade comum, que fazia com que fossem feitos contra ele ataques vergonhosos. Seu vigor e coragem podiam, ainda, fazer com que ele suportasse o fardo de um trabalho estafante que tinha de ser feito, no sentido de apontar o pecado, dominá-lo, e proteger da opressão as criaturas de Deus.

O quinto versículo é repetido para imprimir uma ênfase extra. Sejam quais forem as adversidades ou vicissitudes com que se deparem os homens, Deus sempre providencia uma solução, uma saída, um alívio, um meio que nos leve ao conforto e à felicidade, desde que sigamos o Seu Caminho, mostremos fé e paciência e pratiquemos o bem. Contudo, a solução, ou o alívio, não acontece meramente depois das adversidades; vem com elas. Nós compreendemos o sentido genérico do artigo definido 'usr e o traduzimos por "adversidade".


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Al 'Alac - O Coágulo

Capítulos curtos do Alcorão - 96º Capítulo - Al 'Alac

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Os cinco primeiros versículos deste capítulo, que em português chama-se "O Coágulo", foram os primeiros versículos a serem revelados ao profeta Mohammad, por volta do ano 610 d.C. Com esta revelação teve início o Islamismo e Mohammad tornou-se, doravante, o profeta do Islamismo. Notem que a primeira ordem de Deus ao profeta e, por conseguinte, a todos os muçulmanos foi Ikra, ou seja, Leia, o que denota que não há "lavagem cerebral" no Islamismo ou imposição, uma vez que é ordenado aos muçulmanos que busquem o conhecimento e a cultura.
1- Lê, em nome do teu Senhor que criou;
2- Criou o homem de algo que se agarra (coágulo).
3- Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso,
4- Que ensinou através da pena,
5- Ensinou ao homem o que este não sabia.
6- Em verdade, o homem transgride,
7- Quando se vê rico.
8- Sabe (ó Mensageiro) que o retorno de tudo será para o teu Senhor.
9- Viste aquele que impede
10- O servo de Deus de orar?
11- Viste se ele está na orientação?
12- Ou recomenda a piedade?
13- Viste se ele nega a verdade e a desdenha?
14- Ignora ele, acaso, que Deus o observa?
15- Em verdade, se não se contiver, agarrá-lo-emos pelo topete,
16- Topete de mentiras e pecados.
17- Que chamem, então os seus conselheiros;
18- Chamaremos os guardiães do Inferno!
19- Não! Não o obedeça; porém, prostra-te e aproxima-te de Deus!

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
Ikra pode significar "lê", ou "recita", ou "proclama em voz alta" (o arrebatamento compreendido com a Mensagem de Deus). Só para se ter uma ideia das circunstâncias em que se deu esta primeira revelação da incumbência divina de ele pregar e proclamar a Mensagem de Deus, saiba-se que esta chegou ao profeta na caverna de Hira. Ele não era versado nas letras terrenas, mas a sua mente e a sua alma estavam plenas de conhecimentos espirituais, e era chegada a hora de ele comparecer perante o mundo, e declarar a sua missão.

A declaração ou proclamação deveria ser feita em nome de Deus, o Criador. Não deveria resultar em qualquer benefício para o profeta; para ele, aquilo acarretaria acirradas perseguições, agruras e sofrimentos. A proclamação constituía o chamamento, da parte de Deus para o benefício da humanidade errante. Deus é mencionado, pelo atributo "teu Senhor", para estabelecer uma relação direta entre a fonte da Mensagem e o seu proclamador. A Mensagem não foi meramente uma abstrata proposição filosófica, mas uma mensagem concreta e direta, de um Deus pessoal, ás criaturas, que Ele ama e por quem Ele vela.

A origem animal, pouco lisonjeira, do homem é contrastada com o seu destino altipotente, concedido a ele em sua natureza intelectual, moral e espiritual, por seu Liberalíssimo Criador. nenhum conhecimento é vedado ao homem; pelo contrário, através das faculdades, gratuitamente concedidas a ele, o ser humano adquire-o em quantidades tais, que ultrapassam a sua compreensão imediata, levando-o a diligenciar por significados cada vez mais imediatos.

Os símbolos de uma revelação permanente são a pena mística e o Registro místico. As palavras que traduzem "ensino" e "conhecimento" possuem a mesma raiz. Numa tradução, é impossível produzir-se uma completa harmonia orquestral para as palavras ler, ensinar e pena (que implicam em leitura, escrita, livro, estudo, pesquisa); "conhecimento" (que inclui ciência, conscientização de si mesmo, compreensão espiritual); e "proclamar" (um significado alternativo da palavra "ler").

As palavras do nono versículo poderão ser geralmente aplicadas à humanidade perversa, que não somente procura rebelar-se contra as Leis de Deus, mas ainda procura impedir os outros de as seguirem. Poderá, todavia, haver uma referência, aqui, a Abu Jahl, um contumaz inimigo do Islamismo, que no começo costumava insultar e perseguir o profeta e aqueles qeu seguiam os seus ensinamentos. Com efeito, ele costumava usar de métodos vergonhosos, para evitar que o profeta fosse à Caaba praticar as suas devoções, e proibir qualquer um que fosse oferecer as suas orações, sob a influência do profeta. Abu Jahl era arrogante e orgulhoso da sua riqueza; mas ele encontrou o seu fim, na Batalha de Badr.

Os coraixitas pagãos, que formavam uma opressiva junta ou conselho para dirigir a Caaba, tinham afinidades com Abu Jahl, embora não chegassem aos desabridos extremos a que chegava este último. Porém, não foram capazes, todos combinados, de reter a marcha progressiva da missão divina, embora fizesse tudo para contê-la.

domingo, 4 de agosto de 2013

Al Cadr - O Decreto

Capítulos curtos do Alcorão - 97º Capítulos - Al Cadr

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Este capítulo de cinco versículos fala sobre a Noite do Decreto, a noite do mês de Ramadã na qual o Alcorão começou a ser revelado. É uma noite tão especial que nela as portas do céu estão abertas e ela é muito importante, onde devemos rezar e fazer penitência, pois nela Deus aceita ainda mais os nossos pedidos. Esta noite é uma das dez últimas noites do mês de Ramadã, segundo os especialistas uma das últimas dez noites ímpares de Ramadã.
1- Sabei que o revelamos (o Alcorão) na Noite do Decreto.
2- E o que te fará entender o que é a Noite do Decreto?
3- A Noite do Decreto é melhor do que mil meses.
4- Nela descem os anjos e o Espírito (Anjo Gabriel), com a anuência do seu Senhor, para executar todas as Suas ordens.
5- Ela é paz, até ao romper da aurora!

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
Os literalistas acham que se trata de alguma noite em particular do calendário. Mas não há consenso quanto a que noite seja. A 23ª, a 25ª noite do mês de Ramadã, bem como outras noites foram aventadas. É de bom alvitre termos em mente o seu sentido místico, que também aparece no versículo três deste capítulo, onde se diz que a Noite do Decreto é melhor do que mil meses. Ela transcende o tempo, porquanto se trata do Poder de Deus, dissipando as Trevas da ignorância, com a sua Revelação em todas as espécies de assuntos.

O numeral "mil" deve ser tomado em um sentido indefinido, como se demonstrasse um período de tempo muito extenso. Isso não se refere às nossas ideias de tempo, mas sim ao Tempo eterno. Um momento luzidio, sob a Luz de Deus, é melhor do que mil meses ou anos de vida animal, sendo que tal momento transforma a noite de trevas em um período de glória espiritual.

Quando a noite de escuridão espiritual for dissipada pela glória de Deus , uma maravilhosa paz e uma sensação de segurança despontarão na alma. E isto durará até que esta vida termine, e então o glorioso dia do Novo Mundo espiritual despontará, dia em que tudo estará num diferente plano, e as noites e os dias de vicissitudes deste mundo nada mais serão do que sonhos.

sábado, 3 de agosto de 2013

Islamismo - 3ª Aula

Biografia do Profeta Mohammad (Maomé)

A vida do fundador do Islamismo:

A vida de Maomé:
Toda religião tem uma pessoa que se destaca como seu fundador ou principal legislador: foi assim com o Judaísmo, que tem na pessoa de Moisés o seu principal expoente e também com o Cristianismo, que encontra em Jesus Cristo o seu principal exemplo de conduta. Mesmo outras religiões, de outras tradições, possuem uma pessoa que se destaca como principal guia ou profeta: o Budismo tem em Buda seu fundador, assim como o Zoroastrismo tem no profeta Zoroastro o seu principal expoente.
Com o Islamismo não foi diferente. Embora os muçulmanos considerem que sua religião é a mesma de Moisés e de Jesus, bem como de todos os profetas que vieram antes deles, podemos identificar em Maomé o fundador do que viria a se chamar Islamismo. Maomé é o nome aportuguesado de Mohammad, que nasceu na cidade de Meca, atual Arábia Saudita, no ano de 570 d.C. Nascido na importante tribo chamada coraixita, Maomé ficou órfão de pai e mãe ainda na infância. Criado pelo tio, ingressou na profissão de comerciante e líder de caravanas: em uma região desértica, onde a prática da agricultura e da criação de animais era praticamente impossível, esta era a profissão mais comum para um homem de Meca.
Durante toda sua vida Maomé foi uma pessoa muito preocupada com os assuntos religiosos, pois considerava que a religião era fundamental para que os homens tivessem uma vida mais virtuosa. Após se casar com uma rica comerciante, chamada Hadija, Maomé obteve a tranqüilidade financeira que lhe possibilitou dedicar-se às questões espirituais e praticar, todos os anos, o jejum ritual do mês de Ramadã. Por volta do ano de 610 d.C., quando tinha quarenta anos de idade, Maomé passou por uma experiência religiosa que iria mudar a sua vida: ao se retirar para o Monte Hira, nos arredores de Meca, para meditar e jejuar, Maomé recebeu a visita do arcanjo Gabriel, que lhe recitou os primeiros versículos do que viria a ser o Alcorão. Pelos próximos vinte e três anos Maomé recebeu revelações do Alcorão e formou uma comunidade de fiéis que o seguiram na crença do Islamismo.
Nos seus primeiros anos, Maomé foi intensamente perseguido pelos líderes da cidade de Meca, que não permitiam que uma nova religião prejudicasse os seus negócios locais. Meca era uma cidade religiosa e comercial muito importante da Arábia: todos os anos, em um mês considerado sagrado, peregrinos de todos os cantos da Península Arábica vinham para Meca visitar a Caaba e fazer oferendas aos deuses colocados no seu interior: a religião da Arábia antes do Islamismo era politeísta, ou seja, adorava vários deuses. Durante este período, os mercadores de Meca aproveitavam o grande número de peregrinos para vender suas mercadorias, o que transformou Meca em uma das cidades mais ricas de toda Arábia.
Portanto, com a pregação do Islamismo, que é uma religião monoteísta e que condenava os vários deuses da Caaba, os líderes de Meca temiam que os peregrinos fugissem de Meca e com isso o comércio entrasse em declínio. Diante desta situação, Maomé e os primeiros muçulmanos foram perseguidos e maltratados por vários anos, até que resolveram fugir da cidade para escaparem das perseguições dos coraixitas. Foi então que a cidade de Yathrib, localizada ao norte de Meca, resolveu dar guarida aos muçulmanos e receberam-nos juntamente com Maomé, a quem elegeram líder da cidade. Posteriormente a cidade de Yathrib mudou seu nome para Medina, que em árabe significa “Cidade do Profeta”. A cidade de Medina é a segunda cidade mais importante e mais sagrada do Islamismo, pois foi lá que se formou a primeira comunidade muçulmana e lá Maomé morreu e está enterrado e a primeira mesquita do Islamismo foi construída. As cidades sagradas do Islamismo são: 1. Meca; 2. Medina; 3. Jerusalém;
Ao todo foram vinte e três anos como Profeta do Islamismo, durante os quais Maomé não só foi o profeta, mas também o líder militar de toda a comunidade islâmica. Os coraixitas de Meca não aceitaram a fuga dos muçulmanos e declararam guerra contra Medina. Ao todo foram duas grandes batalhas entre os muçulmanos e os coraixitas que resultaram na vitória de Maomé e levaram os coraixitas a um tratado de paz. Portanto, dez anos depois de fugir de Meca para escapar das perseguições, Maomé retornou como um herói e toda Arábia se tornou muçulmana. Três anos depois Maomé morreu em Meca como o líder supremo de toda a Arábia e o Islamismo dominou não apenas a Península Arábica mas, poucos anos depois, conquistou o norte da África, o Oriente Médio e parte da Europa.
Meca é a cidade mais sagrada do Islamismo, local onde nasceu Mohammad e o Alcorão começou a ser revelado

Os Seis Artigos da Fé:
Além dos cinco Pilares da Religião, que todos os muçulmanos devem cumprir, a fé islâmica exige a observância de seis artigos de fé, que são fundamentos que todos os muçulmanos devem acreditar com toda a sua fé e praticar seus preceitos no dia a dia. São eles:
1-      Acreditar em Deus;
2-      Acreditar nos Seus Anjos;
3-      Acreditar nos Seus Livros;
4-      Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros;
5-      Acreditar no Dia do Juízo Final;
6-      Acreditar na Predestinação;

Estes são princípios que os muçulmanos devem acreditar, sem qualquer sombra de dúvida, de modo a que possam ser consideradas muçulmanas. Expliquemos cada um destes artigos:
1-      Acreditar em Deus: o Islamismo enfatiza o fato de que Deus é o Único, sem igual, o Envolvente de tudo o que existe, sendo unido de todas as maneiras. Somente Deus, o mais Benevolente dos Benevolentes, tem o direito de ser adorado. Sendo assim, o Islamismo proíbe a adoração de qualquer pessoa ou coisa que não seja Deus: proíbe o culto de imagens e a adoção de santos. Também não aceita que qualquer outra pessoa seja colocada ao lado de Deus: dessa forma, a doutrina da Trindade do Cristianismo foi definitivamente descartada e Jesus é considerado apenas como um Profeta, e não como filho de Deus ou Deus filho. O Islamismo é, em todos os sentidos, estritamente Monoteísta.
2-      Acreditar nos Seus Anjos: os anjos são criações de Deus. Ele os criou a partir da luz. Os anjos são poderosos, agindo sempre em conformidade com o que é ordenado por Deus. No Alcorão estão revelados os nomes e os deveres de alguns dos anjos, como por exemplo, o de Gabriel que é o responsável por transmitir aos profetas as revelações de Deus. Além disso, existem dois anjos que sempre acompanham os seres humanos, um anotando as boas ações e outro as transgressões de cada pessoa. Ao contrário do ser humano, que tem o livre arbítrio e pode, de acordo com sua vontade, obedecer ou transgredir as ordens de Deus, os anjos não possuem o livre arbítrio e só podem obedecer as ordens de Deus sem questionamento. Portanto, os anjos são apenas cumpridores das sentenças de Deus.
3-      Acreditar nos Seus Livros: o Alcorão é o livro sagrado dos muçulmanos; no entanto, não se trata do único livro revelado por Deus à humanidade. Ao longo da história, diversos livros foram enviados por Deus para orientar os humanos no caminho correto. O Alcorão foi apenas o último e mais completo, mas não o único. Um muçulmano deve acreditar em todas as escrituras mencionadas por Deus no Alcorão, pois todas consistem na verdadeira palavra de Deus; mas há um porém: de todas as escrituras, para os muçulmanos, apenas o Alcorão se manteve inalterado desde o momento de sua revelação até o presente. As outras foram alteradas por conveniências dos homens, tendo trechos retirados e outros inseridos para combinar as escrituras com os interesses de momento. As escrituras mencionadas por Deus no Alcorão são as seguintes:

a-) Pergaminhos originais, que foram revelados a Abraão;
b-) A Torá, que foi revelada a Moisés;
c-) Os Salmos originais, revelados ao profeta David;
d-) O Evangelho, revelado a Jesus;
e-) O Alcorão, última das revelações feitas por Deus, a Maomé, considerada a única ainda não alterada pelos interesses dos humanos e do poder;
Medina, segunda cidade sagrada do Islamismo, para onde Mohammad e os muçulmanos fugiram das perseguições em Meca e fundaram a primeira mesquita do Islamismo. Em Medina está sepultado Mohammad


4-      Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros: os profetas e mensageiros foram indivíduos que receberam revelações de Deus e as transmitiram aos povos. Estes profetas e mensageiros foram enviados para conduzirem a humanidade de volta ao monoteísmo, para servirem de exemplos vivos de como se submeter a Deus e para orientarem os povos em direção ao caminho da salvação. Nenhum dos profetas ou mensageiros partilhou, fosse de que forma fosse, da divindade de Deus. Eles eram, unicamente, seres humanos. É proibido aos muçulmanos adorarem-nos ou usarem-nos como intermediários com Deus. Um muçulmano não deve, em momento algum, invocá-los, fazer-lhes súplicas ou procurar a misericórdia e o perdão de Deus através deles. Cada um dos profetas e mensageiros explicou que, todos estes atos são formas de politeísmo; e quem quer que se envolva em tais práticas, segundo o Islamismo, não pode ser considerado muçulmano. Ao longo do tempo e a todos os lugares do mundo, Deus enviou profetas junto dos povos. Alguns deles foram referidos por Deus no Alcorão. Entre os nomes citados estão os de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. No Alcorão, a fé e as crenças de todos os profetas e mensageiros foi explicada da seguinte forma para Maomé:

“Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus, (dizendo-lhes): Observai a religião e não sejais divididos por ela; na verdade, os idólatras se ressentiram daquilo a que os convocaste. Deus elege quem Lhe apraz e encaminha para aquele que se volta para Ele” (Alcorão, capítulo 42, versículo 13).

“Dizei: Cremos em Allah, no que nos tem sido revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; no que foi concedido a Moisés e a Jesus e no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção alguma entre eles e a Ele nos submetemos” (Alcorão, capítulo 2, versículo 136).

Portanto, para os muçulmanos, todos os profetas, desde Adão até Maomé, são iguais e não é permitido que se adore nenhum deles ou os coloque em pé de igualdade para com Deus. Entre eles está Jesus, que os cristãos acreditam ser deus filho, mas os muçulmanos não aceitam tal adoração, embora acreditem em Jesus como um dos profetas de Deus.
5-      Acreditar no Dia do Juízo Final: os muçulmanos devem acreditar, sem qualquer tipo de dúvida, no Dia do Juízo Final e na ressurreição física, quando o corpo ressuscitar e a alma se lhe reunir, por intermédio do poder infinito de Deus. No Dia do Juízo Final, segundo a crença muçulmana, todos comparecerão perante Deus e todas as suas obras, durante toda a sua vida, lhe serão apresentadas e ele será julgado de acordo com o que tiver feito: caso tenha mais ações boas do que más, poderá ir para o Paraíso e desfrutará da companhia de Deus e das pessoas de bem; por outro lado, se tiver mais ações más do que boas, será lançado no inferno onde permanecerá eternamente como castigo pelo que fez durante a sua vida. O Alcorão explica da seguinte forma o Dia do Juízo Final:

“Quando a terra executar o seu tremor predestinado, e descarregar os seus fardos, o homem dirá: Que ocorre com ela? Nesse dia, ela declarará suas notícias, porque o teu Senhor lhas terá revelado. Nesse dia, os homens comparecerão, em massa, para que lhes sejam mostradas as suas obras. Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á. E quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á” (Alcorão, capítulo 99, versículos de 1 a 8).

Existem ainda alguns mal entendidos com relação à crença dos muçulmanos na vida após a morte. Muitas pessoas acreditam que os mártires, ou seja, aqueles que morrem pela religião, fazem isso para desfrutar das virgens do Paraíso. Esta interpretação se deve a um erro básico: o Alcorão está cheio de frases que são alegóricas, ou seja, que não devem ser levadas ao pé da letra, pois na verdade fazem referência a outras coisas. Por exemplo: o Alcorão apresenta alegorias como a das virgens do Paraíso e também dos “jardins sob os quais correm os rios”. Não se devem interpretar tais coisas ao pé da letra: os muçulmanos não terão estas coisas exatamente, mas sim uma sensação tão boa quanto a de “virgens” ou de “jardins sob os quais correm os rios”. São alegorias e não fatos reais. Além disso, devemos ter em mente que os muçulmanos não acreditam em reencarnação: cada alma é única de um corpo e depois da morte receberão sua recompensa de acordo com seus atos, jamais reencarnando em outros corpos. Dessa forma, cada pessoa é única com sua alma e tudo o que fizer em vida, baseado em seu livre arbítrio, terá de prestar contas a Deus após sua morte no Dia do Juízo Final.
Jerusalém, onde se localiza a mesquita de Omar (Domo da Rocha), é a terceira cidade sagrada do Islamismo. Neste local, em seu interior, Mohammad ascendeu aos céus para encontrar-se com Allah, acontecimento que está relatado no Alcorão


6-      Acreditar na Predestinação: a palavra predestinação significa que tudo o que nos acontece ou nos acontecerá faz parte de um destino prefixado por Deus, para cada ser humano, ou seja, nada que aconteça a qualquer pessoa não estava no conhecimento de Allah. Assim sendo, todos os muçulmanos acreditam que têm um destino estabelecido por Deus, que tudo sabe e tudo entende: Deus tudo sabe, tudo observa e possui um total conhecimento. Isto é semelhante à crença calvinista da predestinação da alma. Uma pessoa, segundo o Islamismo, não vive sozinha, alheia ao que acontece ao seu redor ou isolada das companhias do dia a dia. Portanto, cada acontecimento irá influenciar na sua vida e nas outras pessoas que vivem em sua função e assim por diante, sendo que a humanidade forma uma cadeia de relações que levam a conseqüências que, apesar de parecerem aleatórias, são do total conhecimento de Deus. Alguns estudiosos dão a isto o nome de Efeito Borboleta, ou seja, acontecimentos que a princípio parecem sem importância ou restritos a um só lugar ou pessoa, acabam influenciando pessoas e lugares que, a princípio, nada tinham a ver com o acontecido. Para o Islamismo, portanto, Deus tem um plano e todos os seres humanos devem acreditar que cumprem um projeto preestabelecido por Deus.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Al Bayinat - A Evidência

Capítulos curtos do Alcorão - 98º Capítulo - Al Bayinat

Tradução e explicações do Prof. Samir El Hayek:

Este capítulo com oito versículos fala sobre a vinda do profeta de Deus, Mohammad (Maomé) como uma evidência da verdade e do modo correto de se comportar. O Alcorão, com seus versículos esclarecedores, é também uma prova de coesão e orientações para a humanidade. Sendo assim, o Islamismo surge como uma "evidência" para aqueles que analizarem o seu conteúdo com sinceridade e honestidade.

1- Os incrédulos, entre os adeptos do Livro, bem como os idólatras, não desistiriam da sua religião, a não ser quando lhes chegasse a Evidência:
2- Um Mensageiro de Deus, que lhes recitasse páginas purificadas,
3- Que contivessem escrituras corretas.
4- Os adeptos do Livro não se dividiram, senão depois de lhes ter chegado a Evidência,
5- E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Deus, fossem monoteístas, observassem a oração e pagassem o zakat; esta é a verdadeira religião.
6- Em verdade, os incrédulos, entre os adeptos do Livro, bem como os idólatras, entrarão no fogo infernal, onde permanecerão eternamente. Estas são as piores das criaturas!
7- Por outra, os fiéis, que praticam o bem, são as melhores criaturas,
8- Cuja recompensa está em seu Senhor: Jardins do Éden, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n’Ele. Isto acontecerá com quem teme o seu Senhor.

Explicações do Prof. Samir El Hayek:
Os Adeptos do Livro, aos quais se reporta o primeiro versículo, são os judeus e os cristãos, que receberam
escrituras, na mesma linha de profecias, tal qual profeta Mohammad. Suas escrituras deveriam tê-los preparado para o advento da chegada do maior e derradeiro dos profetas. Quanto aos judeus, suas escrituras lhes prometeram, sendo eles primos dos árabes ou irmanados com estes, um profeta igual a Moisés: "O Senhor, teu Deus, te suscitará um Profeta como tu, da tua nação, e dentre os teus irmãos; a este ouvirás".(Deuteronômio, 18:15). E Cristo promete um consolador (João 14:16; 15:26) quase pelo nome. Todavia, quando o Profeta prometido chegou, na pessoa de Mohammad, rejeitaram-no, porquanto não estavam em busca da Verdade, mas seguindo as suas próprias fantasias, desejos e devaneios.

Receber a faculdade da discriminação entre o certo e o errado, e, então, rejeitar a verdade, constitui o pior os desatinos, que as criaturas dotadas com tal faculdade poderiam cometer. Isto acarretará punição, quer a pessoa se denomine de "filho de Abraão, ou um dos redimidos por Cristo:, ou guie-se meramente pela luz a natureza e da razão, como os pagãos. Aos olhos de Deus, a honra não é oriunda da raça ou da profissão de fé, mas da conduta sincera e virtuosa.

terça-feira, 30 de julho de 2013

As Dez Últimas Noites de Ramadã - Bênçãos Especiais

A Importância das Dez Últimas Noites do mês de Ramadã

Em uma destas noites, chamada Lailat Al Qadr (Noite do Decreto), o Alcorão começou a ser revelado ao profeta Mohammad. Ela é tão especial que é considerado como sendo melhor do que mil meses:

As últimas dez noites do Ramadã são muito especiais. A primeira dessas noites ocorre na véspera do dia 21 do Ramadã. Em outras palavras, é a noite que começa após a conclusão do 20º dia de jejum. Às vezes, há apenas nove noites, sempre quando o mês do Ramadã dura apenas 29 dias. No entanto, ainda são tradicionalmente referidas como “as últimas dez noites”.
As últimas dez noites do Ramadã são muito especiais. Estas são as noites em que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) passava em adoração constante. Entre estas noites Lailat Al Qadr, uma noite mais abençoado do que mil meses (nela o Alcorão começou a ser revelado ao profeta Mohammad.
O Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) costumava unicamente nestas noites fazer adoração e a realização de boas ações. Ele praticava adoração durante estas dez noites mais do que quaisquer outras noites do ano.
‘Aisha (esposa do profeta Mohammad) nos diz: “Durante as últimas dez noites do Ramadã, o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) apertava o cinto e passava a noite em adoração. Também acordava sua família”. (Sahih Al Bukhari 1920).
‘Aisha também diz: “Eu nunca havia conhecido do Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele) ler o Alcorão inteiro em uma única noite, ou passar a noite inteira em oração até chegar a manhã, ou passar um todo mês de jejum – exceto no Ramadã”. (Sunan An Nasa’i 1641 e Sunnna Ibn Majah 1348).
Quando dizemos que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) passou a noite inteira em adoração, devemos qualificar. Isso porque ele passava um tempo comendo o jantar, participando de sua refeição antes do amanhecer, e outras atividades similares. No entanto, ele passava a maior parte da noite em adoração.
Acordando a Família
‘Aisha nos informa que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) costumava acordar sua família durante as noites dos últimos dez dias Ramadã. De fato, ele costumava acordar suas esposas para a oração durante todo o ano, mas isso foi para que pudessem orar por uma pequena fração da noite.
Sabemos isso, porque Umm Salamah relata que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) a despertou em uma noite e disse: “Glorificado seja Allah. O que foi enviado de testes durante esta noite? Que fez descer os tesouros, de modo que os habitantes das camas despertassem? Oh Senhor! Vista-nos neste mundo e deixe-nos despido no outro”. (Sahih Al Bukhari 1074).
Durante as últimas dez noites do Ramadã, o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) acordava suas esposas para orar uma parcela muito maior da noite do que durante o resto do ano.
Esforçando-se nos atos de adoração
‘Aisha nos diz: “O Profeta esforçava-se na adoração durante as dez noites mais do que em qualquer outra época do ano”. (Sahih Muslim 1175).
O grande jurista, Ash Shafi’i declara: “É Sunnat praticar com maior esforço a adoração durante as dez ultimas do Ramadã”. (Al Majm’u 6 /397).
Quando o ‘A’isha nos diz que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) que “apertava o cinto”, ela está falando no sentido figurado. A frase significa que se dedicava totalmente e sinceramente com a tarefa em mãos.
A leitura do Alcorão durante as dez últimas noites de Ramadã é um ato de adoração muito praticado
Buscando a Lailat Al Qadr
Uma das maiores distinções destas dez noites especiais é que uma delas é a Lailat Al Qadr – Noite do Decreto. Esta é a melhor noite do ano – melhor do que mil meses. Isto significa que um muçulmano pode ganhar mais recompensas no Lailat Al Qadr que ele faria se – excluindo esta noite especial – adorasse ao seu Senhor durante oitenta e quatro anos consecutivos. Este é um dos favores imensos que Allah concedeu à comunidade muçulmana.
Ibrahim An Nakha’i disse: “As boas ações realizadas nesta noite são melhores do que aquelas realizadas de forma consistente durante mil meses”.
Abu Hurairah relata que o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) disse:“Quem pass Lailat Al Qadr em oração, acreditando em Allah e buscando Sua recompensa será perdoado de todos os seus pecados passados”. (Sahih Al Bukhari 1802 e Sahih Muslim 760).
A crença em Allah neste hadith, significa não apenas crer em Allah, mas acreditar na recompensa que nos é prometida em fazer a oração nesta noite.
Lailah Al Qadr está em uma das noites ímpares. ‘Aisha diz que o Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele) disse: “Buscai Lailah Al Qadr nas noites impares durante as dez últimas noites do Ramadã”. (Sahih Al Bukhari 1913 e Sahih Muslim 1169).
É mais provável que uma das últimas sete noites ímpares. Ibn ‘Umar diz que o Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele) disse: “Busque nas últimas dez noites. Se alguém de vocês ficar fraco ou incapaz de fazê-lo, então deve pelo menos tentar nas sete noites restantes”. (Sahih Muslim 1165).
O provável candidato para a maioria do Laylah al-Qadr é à noite de 27 do Ramadã. Isto é indicado pela declaração de ‘Ubaii ibn K’ab: “Juro por Deus que eu sei qual é a noite. É à noite em que o Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele), nos ordenou a fazer a oração. É a noite na véspera do 27 de Ramadã. Seu sinal é que o Sol nascerá branco na manhã desse dia, sem emanar qualquer raio”. (Sahih Muslim 762).
Um muçulmano deve procurar esta noite especial, gastando as noites dos últimos dez dias do Ramadã envolvido em vários atos de adoração. Estes incluem a recitar as recordações de Allah (dhikr), leitura do Alcorão e  suplicar o perdão de Allah.
É melhor para nos esforcemos muito em todas estas dez noites, porque o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) disse: A forma de como “buscar”Lailat Al Qadr é mediante as adorações extras.
Quando o Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) disse: “Busque entre as dez últimas noites”, ele não quis dizer que devemos literalmente “procurar” sinais e indicações que distinguem Lailat Al Qadr de outras noites. As coisas que distinguem Lailat Al Qadr de outras noites fazem parte do oculto.
Allah diz: “Certamente nós revelamos em uma noite abençoada, pois certamente somos Admoestadores (Contra o mal). Nesta noite decide-se toda sabia ordem”. (Surat Al Dukhan 44: 3-4).
Allah diz: “Lailat Al Qadr é melhor do que mil meses. Nela descem os anjos e o Espírito (anjo Gabriel), com a anuência do seu Senhor, com todo o decreto. (Esta noite) A paz, até o romper da aurora”. (Surat Al Qadr 97: 3-5).
Estas são as maneiras pelas quais Lailat Al Qadr é especial. Não são coisas que podemos ver com nossos olhos. Ninguém depois do Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) pode ver os anjos.
Peregrinos sobem o Monte Hira, onde Mohammad recebeu a primeira revelação do Alcorão através do anjo Gabriel. Isto ocorreu em uma das dez últimas noites do mês de Ramadã

Fazendo o retiro na Mesquita (‘Itikaf)
Fazer um retiro na mesquita é uma das melhores coisas que podemos executar durante as dez últimas noites do Ramadã. ‘Aisha nos diz: “O Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) costumava fazer um retiro na mesquita durante as dez ultimas noites do Ramadã, até sua morte. Sua esposa continuou a observar esta prática depois de sua morte”. (Sahih Al Bukhari 1922 e Sahih Muslim 1172).
A prática de ‘itikaf é um ato altamente recomendado. É definido como permanecer em retiro na mesquita com a finalidade expressa de adoração. O objetivo de fazer isso é dedicar o coração exclusivamente a Allah. A pessoa que participa do ‘itikaf mantém junto essa intenção em mente buscando as bênçãos de Allah. Não deve esquecer o motivo pelo qual ele está fazendo este retiro.
Uma pessoa que faz ‘itikaf não sai da mesquita, exceto para aquilo que é absolutamente necessário (como ir ao banheiro). Quando dentro da mesquita, deve ocupar-se com a recordação de Allah. Deve assegurar em fazer as recordações e certificar-se de oferecer as lembranças da manhã e da noite, e as recordações prescritas para as cinco orações diárias. Deve realizar todas as orações Sunnat recomendadas e todas outras orações recomendadas, como a oração Duha (oração voluntária). Deve ler o tanto quando puder do Alcorão.
Deve gastar o menos tempo possível no comer e dormir. Deve evitar as conversas desnecessárias. No entanto, deve participar no aconselhamento de seus companheiros muçulmanos e ordená-los à verdade e à paciência.
Generosidade
É aconselhado sermos generosos ainda mais durante as noites dos dez últimos dias do Ramadã, sem ser extravagante ou ostentoso em nossa doação. Ibn ‘Abbas diz que: “O Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele) foi o mais generoso de todas as pessoas em fazer o bem, e mais generoso ainda durante o mês de Ramadã. Gabriel se encontrava com ele a cada ano durante todo o mês do Ramadã, dessa forma o Profeta poderia recitar o Alcorão com ele. Sempre que Gabriel encontrava-se com ele, tornava-se mais generoso do que uma brisa benéfica”. (Sahih Al Bukhari 1902 e Sahih Muslim2308).
O imam An Nauaui comenta (Al Majm’u 6/398):
“A generosidade e a imparcialidade são fortemente encorajadas no Ramadã, especialmente durante as dez últimas noites. Ao fazer isso, estimulamos o exemplo do Mensageiro de Allah (que a paz de Allah esteja com ele), bem como dos nossos predecessores piedosos (Salaf). Além disso, este mês é nobre, e as boas ações realizadas nele são ainda mais abençoadas do que em qualquer outro momento. Além disso, durante este mês, as pessoas estão preocupadas com o jejum e adoração, e isso os distrai de seus meios de subsistência, podendo precisar de algum auxílio durante esse tempo”.

Fonte: http://unicidadeeluz1.wordpress.com/